Peru analisa cédulas eleitorais contestadas; resultado será em maio

Peruvian electoral workers distribute voting materials to polling stations, as police and military personnel stand guard, ahead of the April 12 general election, in Lima, Peru, April 11, 2026. REUTERS/Manuel Orbegozo

As autoridades eleitorais do Peru começaram a revisão de milhares de cédulas contestadas nesta segunda-feira, paralisando a contagem das eleições gerais de 12 de abril e atrasando o anúncio dos resultados finais, já que nenhum rival presidencial claro emergiu até o momento para enfrentar a líder conservadora Keiko Fujimori no segundo turno, em junho.

Cerca de 6% das seções eleitorais — representando mais de um milhão de votos — foram contestadas na semana passada devido a inconsistências, falta de informações ou erros nas folhas de contagem, de acordo com o Escritório Nacional de Processos Eleitorais do Peru (Onpe).

O principal órgão eleitoral do Peru, o Júri Nacional de Eleições (JNE), disse que iniciou a análise das seções eleitorais contestadas em audiências públicas antes de adicioná-las à contagem final, processo que pode levar semanas.

O resultado final da eleição presidencial será conhecido no máximo até 15 de maio, disse o coordenador jurídico do JNE, Jorge Valdivia, em uma coletiva de imprensa nesta segunda-feira.

“Essa é a última data que estabelecemos, porque é preciso dar tempo para que os candidatos que avançarem para o segundo turno realizem suas atividades de campanha”, disse Valdivia.

Milhares de folhas de contagem adicionais das eleições simultâneas para senadores e deputados também estão sendo revisadas, disseram as autoridades do JNE.

A contagem oficial de votos praticamente não mudou desde sexta-feira. Com quase 94% das cédulas apuradas, Fujimori estava com cerca de 17% dos votos, de acordo com o Onpe. O parlamentar de esquerda Roberto Sanchez e o ultraconservador Rafael Lopez Aliaga continuavam em uma disputa apertada pelo segundo lugar, com 12,0% e 11,9% dos votos, respectivamente — margem de aproximadamente 13.000 votos que continua a flutuar.

Na última semana, Sanchez passou gradualmente à frente do ex-prefeito de Lima, Lopez Aliaga, refletindo um padrão que favoreceu o parlamentar de esquerda, aliado do ex-presidente preso Pedro Castillo. Castillo ganhou a presidência em 2021 com forte apoio das regiões rurais e do interior do país.

“A maioria das estações contestadas está localizada fora da capital, e sua origem geográfica será o “fator determinante para o segundo turno”, disse o JPMorgan em uma nota a clientes.

“O fato de a diferença ter aumentado novamente, mesmo com os votos urbanos e no exterior continuando a ser contados, sugere que a base rural de Sanchez está gerando votos suficientes para compensar a pressão da oposição”, acrescentou o banco.

Os atrasos na apuração geraram acusações de fraude por parte de Lopez Aliaga e pedidos de renúncia do chefe do Onpe, Piero Corvetto, por parte de líderes empresariais e parlamentares de vários partidos políticos.

O JNE apresentou uma queixa criminal contra ele, alegando ofensas que incluem violações dos direitos de voto. Corvetto reconheceu a existência de atrasos logísticos, mas negou a ocorrência de irregularidades.

Corvetto não respondeu imediatamente a um pedido de comentário da Reuters.

Observadores eleitorais da União Europeia afirmaram na semana passada que não encontraram qualquer evidência de fraude.

* É proibida a reprodução deste conteúdo

Agência Brasil

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *