Incêndios florestais diminuem perto de Bordeaux e Madri

Fumaça envolve partes da capital da Grécia enquanto incêndio florestal se alasta nas proximidades de Atenas
31 de julho de 2026 REUTERS/Louiza Vradi

A França e a Espanha tiveram um respiro nesta sexta-feira (31) após dias de incêndios florestais devastadores, à medida que grandes incêndios nas proximidades de Bordeaux e Madri foram colocados sob controle, embora os incêndios continuassem ativos na Grécia e no oeste da Espanha.

A Europa foi devastada por incêndios florestais neste verão, após sucessivas ondas de calor que bateram recordes, deixando vastas áreas de vegetação ressecada pela seca propícia ao fogo e forçando centenas de milhares de pessoas a fugir de suas casas.

Enquanto os incêndios na Espanha e na França diminuíam, a Grécia registrou sérios novos focos de incêndios esporádicos por todo o país nesta sexta-feira, com moradores de duas comunidades a oeste de Atenas sendo aconselhados a deixar a região por precaução devido a um incêndio florestal que emitia nuvens de fumaça nas colinas ao redor da capital grega.

No sudoeste da França, as autoridades começaram a permitir que as pessoas voltassem para casa após declararem que um grande incêndio florestal, que durou mais de uma semana, havia sido contido.

As ordens de retirada foram suspensas em 12 distritos a oeste e sudoeste de Bordeaux, permitindo que 144 mil das mais de 220 mil pessoas deslocadas voltassem para casa, informou a prefeita de Gironda, Sophie Brocas, em comunicado.

A Europa é o continente que mais rapidamente se aquece no mundo, com estudos científicos recentes confirmando que as mudanças climáticas causadas pelo homem criaram as condições de calor e seca vividas em todo o continente nos últimos meses, sem dar trégua às equipes de emergência.

A temperatura média da Europa nesta sexta-feira estava prevista em 24,9 graus Celsius (°C), 3,3°C acima do que era típico entre 1961 e 1990, tornando-o o continente mais distante de sua norma histórica, segundo dados do Reuters Climate Monitor.

As nuvens de fumaça e cinzas lançadas na atmosfera nas últimas semanas expuseram milhões de pessoas à poluição atmosférica prejudicial à saúde. 

Cientistas afirmaram estar particularmente preocupados com as emissões de partículas finas, conhecidas como PM2,5, que estão associadas a doenças cardiovasculares, câncer de pulmão e problemas respiratórios.

Na ilha grega de Creta, equipes ainda combatem focos persistentes ao longo de uma frente de 15 km e se precaviam contra novos surtos. Um incêndio que eclodiu na região central de Creta na quarta-feira (29) forçou a retirada de centenas de turistas e moradores locais, inclusive por barco, a partir de comunidades costeiras.

“Estamos travando uma batalha enorme para conter o incêndio e esperamos colocá-lo sob controle até o final do dia”, disse Giorgos Tsapakos, vice-governador regional da Proteção Civil de Creta.

Os ventos fortes previstos até a noite de sábado (1), com rajadas de até 115 km/h, estavam dificultando o trabalho dos bombeiros, informou o vice-governador.

A Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, com sede em Genebra, estimou que 2 mil turistas foram retirados devido aos incêndios em Creta e informou que casas, terras agrícolas, olivais e gado foram destruídos.

Houve novos focos de incêndio em outras regiões do país. Na região da Beócia, a noroeste de Atenas, centenas de moradores e visitantes de uma pequena comunidade litorânea foram retirados em barcos da Guarda Costeira e pequenas embarcações de pesca, enquanto densas nuvens de fumaça alaranjada cobriam a área.

A Espanha suspendeu o estado de emergência nacional em Ávila, no centro do país, e em Madri, na quinta-feira (30), devolvendo o controle às autoridades regionais à medida que as condições melhoravam.

As equipes de combate a incêndios permaneceram em alerta para possíveis recidivas nesta sexta-feira, enquanto cerca de 1 mil moradores de sete conjuntos habitacionais em Pelayos de la Presa e San Martín de Valdeiglesias, na região da capital, ainda não podiam retornar para casa.

Mais a leste, um incêndio em La Vall d’Uixo, na província de Castellón, continuava ativo, mas não se espalhava há 48 horas. Cerca de 7 mil moradores ainda estão desabrigados, embora cerca de 1 mil tenham retornado para casa.

Ventos fortes dificultaram o trabalho dos bombeiros no Parque Natural de Arribes del Duero, em Zamora, próximo à fronteira com Portugal, onde as chamas varreram os cânions dos rios Duero e Tormes. Quatorze vilarejos foram esvaziados e a população de outros dois recebeu orientação para permanecer em casa.

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Agência Brasil

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