Alfredo Cotait Neto: “País cresce 3% ao ano, mas a dívida vem crescendo 6%. Na prática, estamos decrescendo 3%”
Edição Scriptum com Diário do Comércio
A reforma administrativa e a redução anual de 1% na relação da dívida pública em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) foram defendidas na terça-feira (11) pelo presidente da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), Alfredo Cotait Neto, durante o lançamento da plataforma Gasto Brasil no Congresso Nacional.
De acordo com matéria do Diário do Comércio (veja a íntegra aqui), o painel Gasto Brasil monitora as despesas dos governos federal, estaduais e municipais. Com dados fornecidos online, a ferramenta foi criada, em 2025, pela CACB e pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP) para dar mais transparência às contas públicas e mensurar a qualidade do desembolso dos três entes da federação.
Utilizando os dados do Gasto Brasil, que totaliza R$ 3,4 trilhões, em comparação com o Impostômetro, Alfredo Cotait reforçou que a despesa pública ultrapassa em R$ 1 trilhão a arrecadação, que totalizava R$ 2,4 trilhões. Ele relacionou os números apresentados ao cenário fiscal do País e defendeu maior controle sobre a gestão das contas públicas.
“Precisamos ter crescimento econômico. O País cresce 3% ao ano, mas a dívida vem crescendo 6%. Na prática, estamos decrescendo 3%, e o Brasil está ficando mais pobre nessa mesma proporção. A relação dívida-PIB, que era de 71%, 72%, está beirando os 82%. Ela cresceu exponencialmente, e esse gasto não foi feito com qualidade”, ressaltou.
Cotait reivindicou que no início da próxima legislatura seja realizada a discussão da reforma administrativa e elaborada uma métrica que sirva de redutor da relação dívida-PIB. Ele acredita ser possível diminuir os gastos em até R$ 120 bilhões por ano, principalmente em despesas desnecessárias.
O presidente da CACB destacou que, se houver aumento do investimento e crescimento do PIB, não será necessário realizar esses cortes. “O que interessa é a relação dívida-PIB. As dívidas públicas podem até estar em uma magnitude elevada desde que haja mais crescimento”, declarou. O dirigente disse que o Brasil precisa investir mais em infraestrutura e educação.
“Precisamos de um novo modelo que possa dar ao Brasil uma sinalização de redução da dívida em relação ao PIB. Esse é o principal termômetro. Se a dívida continuar a crescer nos ritmos atuais, o país vai ficar numa situação de insolvência”, salientou Cotait.
Segundo ele, a apresentação do Gasto Brasil é um alerta do setor produtivo aos parlamentares. “Se esse problema não for resolvido, vamos perpetuar uma taxa de juros que inviabiliza qualquer produção”, manifestou.
Na visão de Cotait, o poder público gasta muito, mas direciona poucos recursos para investimentos. “É preciso ter um crescimento econômico saudável, sustentável, e não esse crescimento fictício, em que a gente cresce, mas gera uma dívida duas vezes maior e que representa, na verdade, um decréscimo e um empobrecimento da classe média”, avaliou.


