Pelo menos 57 pessoas morreram desde quinta-feira (30) ao tentar alcançar a região espanhola de Ceuta a nado a partir de Marrocos. Os dados constam no novo balanço da delegação do governo espanhol na cidade autônoma e a polícia local.

Este número soma-se aos 30 migrantes mortos encontrados até quarta-feira, desde o início do ano.
Segundo os dados compilados pelas agências noticiosas espanholas Europa Press e EFE, chega a 87 o número de migrantes encontrados mortos na costa de Ceuta depois de se terem afogado na tentativa de atravessar a fronteira a partir de Marrocos.
As forças de segurança e os serviços de emergência continuam a localizar corpos de pessoas que se lançaram ao mar a partir da costa marroquina de Castillejos, na tentativa de alcançar a nado a costa de Ceuta.
As autoridades não descartam que o número de mortos aumente nas próximas horas.
O presidente do governo municipal de Ceuta, Juan Jesús Vivas, estimou hoje em 60 mil o número de migrantes que entraram na cidade nas últimas horas, enquanto o governo espanhol aponta para cerca de 50 mil.
Segundo fontes governamentais, cerca de 37, 5 mil pessoas tinham regressado voluntariamente a Marrocos.
Originários da cidade marroquina de Fnideq, que faz fronteira com o enclave espanhol, os migrantes chegaram durante a noite por terra e por mar nos últimos dias, e o fluxo intensificou-se na quinta-feira (30).
Eram, em sua maioria, jovens e adolescentes que atravessavam as altas vedações de arame farpado que marcam a fronteira ou que as contornavam pelo mar.
Alguns dos jovens mal sabiam nadar e usavam boias. Dezenas morreram afogados ao tentar fazerem a travessia.
Ceuta é um pequeno território de 80 mil habitantes situado no extremo norte de Marrocos, banhado pelo estreito de Gibraltar. É uma das duas fronteiras terrestres entre a África e a Europa, juntamente com o outro enclave espanhol de Melilla.
Nesta sexta-feira (31) pela manhã, milhares de jovens migrantes estavam reunidos nas praias, alguns aquecendo-se à volta de fogueiras, outros adormecidos, sob o olhar atento de um grande número de polícias.
O fluxo migratório teria sido desencadeado por rumores sobre a abertura da fronteira entre Marrocos e Ceuta, espalhados nas redes sociais.
Tanto Espanha como Marrocos atribuíram esta crise migratória em Ceuta a redes de tráfico humano e garantiram a boa cooperação entre os dois países.
*texto ampliado às 14h46
Agência Brasil


