A Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern), por meio do projeto de extensão As Religiões numa Perspectiva Afrocentrada: diálogos sobre as religiosidades de matriz africana nos contextos da educação e da saúde, é co-realizadora do III Fórum Estadual das Comunidades Tradicionais de Terreiros do Rio Grande do Norte, nesta sexta-feira (27). O evento reúne lideranças religiosas, pesquisadores, representantes de instituições públicas, movimentos sociais, estudantes e integrantes de comunidades tradicionais de terreiro de todo o estado no Complexo Cultural da Uern Natal. A entrada é gratuita, e a programação é das 7h30 às 21h.
O Fórum é promovido pelo Grupo de Articulação de Matrizes Africanas e Ameríndias do Rio Grande do Norte (GAMA/RN), pela Rede de Jovens de Matriz Africana e Terreiros do RN (Rejomate/RN) e pela Uern, por meio do projeto de extensão coordenado pelo professor João Bosco Filho, do Departamento de Ciências da Religião.
Com o tema “A força do que fizemos guia o que queremos ser”, o fórum propõe um espaço de diálogo, formação e fortalecimento dos Povos e Comunidades Tradicionais de Terreiro, reafirmando a importância da ancestralidade, da memória e da construção coletiva de políticas voltadas ao enfrentamento do racismo religioso, à promoção da igualdade racial, da liberdade religiosa e à valorização dos patrimônios culturais afro-religiosos e afro-ameríndios.
Entre os destaques da programação estão o lançamento do Museu Virtual – Arquivo Afro-Religioso: Memória e Patrimônio das Comunidades de Terreiro do RN e do Mapa do Axé Potiguar – Cartografia dos Terreiros do Rio Grande do Norte, iniciativas que buscam preservar, documentar e dar visibilidade às histórias, aos territórios e às tradições dos Povos de Terreiro no estado.
Além de mesas de diálogo e atividades formativas, o fórum contará com manifestações culturais, homenagens a lideranças ancestrais, apresentações de experiências desenvolvidas pelas comunidades e espaços dedicados à economia solidária e aos saberes tradicionais.
Segundo o professor João Bosco Filho, coordenador do projeto de extensão da Uern, o encontro representa o compromisso da universidade com uma extensão comprometida com a justiça social e o reconhecimento da diversidade de saberes.
“É com grande alegria e profundo respeito que acolhemos o III Fórum Estadual das Comunidades Tradicionais de Terreiros do RN como um espaço de encontro, memória e fortalecimento dos Povos de Terreiro. Para nós, enquanto universidade pública comprometida com a transformação social, este momento reafirma a importância de reconhecer os terreiros como territórios de produção de saber, cuidado, ancestralidade e resistência”, afirma.
Para o docente, o evento também fortalece o papel da extensão universitária como espaço de construção coletiva do conhecimento. “O Fórum expressa aquilo que buscamos construir por meio da extensão universitária: uma universidade aberta ao diálogo, capaz de aprender com os territórios e valorizar conhecimentos historicamente invisibilizados.
Ao reunir comunidades, instituições e diferentes gerações, reafirmamos o compromisso com uma prática acadêmica antirracista, decolonial e comprometida com a promoção da igualdade, da liberdade religiosa e do respeito à diversidade dos saberes que sustentam a vida.”
O projeto de extensão está em sua segunda edição e tem como objetivo enfrentar o racismo religioso nos campos da educação e da saúde por meio de ações formativas, oficinas, visitas a casas de Candomblé e atividades fundamentadas em uma perspectiva afrocentrada. A iniciativa integra ensino, pesquisa e extensão, promovendo a valorização das religiões de matriz africana como patrimônio cultural e espiritual brasileiro e contribuindo para a formação de profissionais comprometidos com uma sociedade mais inclusiva e antirracista.
A coordenadora-geral do GAMA/RN, Iyalaxé Flavinha de Oxum, destaca que o fórum representa um momento de fortalecimento da organização coletiva dos Povos de Terreiro.
“Mais do que um evento, este é um compromisso com a justiça social, com a memória e com a afirmação dos nossos direitos. Quando fortalecemos o povo de terreiro no Rio Grande do Norte, reafirmamos que nossos territórios produzem conhecimento, cuidado, cultura e têm o direito de ocupar todos os espaços de decisão”, ressalta.
Segundo ela, a terceira edição simboliza a consolidação de um processo coletivo construído ao longo dos últimos anos: “Celebramos avanços importantes, como o Mapeamento Estadual e o Museu Afro-Virtual, frutos da união entre diferentes tradições religiosas e do compromisso de preservar nossa história para as futuras gerações. É um momento de luta, mas também de reencontro, celebração e fortalecimento da nossa ancestralidade.”
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