Trump: acordo provisório com Irã para encerrar guerra “acabou”

Navios no Estreito de Ormuz
1º de julho de 2026
REUTERS/Stringer

O presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (8) que um acordo provisório para encerrar a guerra com o Irã “acabou”, depois que Teerã realizou novos ataques a bases norte-americanas no Golfo.

Em escalada de hostilidades que provocou forte alta nos preços do petróleo, o Irã informou ter atacado instalações militares dos EUA no Barein e no Kuwait, após forças norte-americanas atingirem alvos iranianos em resposta a ataques contra navios-tanque no Estreito de Ormuz.

Os ataques minaram ainda mais um acordo de cessar-fogo já frágil e reduziram as esperanças de transformar o memorando de entendimento assinado em 17 de junho em um acordo de paz permanente para encerrar a guerra, iniciada com ataques aéreos dos EUA e de Israel contra o Irã em 28 de fevereiro.

Questionado, antes de uma cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) na Turquia, se o memorando de entendimento havia acabado, Trump disse: “É uma pergunta muito interessante. Para mim, acho que acabou. Não quero lidar com eles.”

“Eles são escória. São pessoas doentes. São liderados por pessoas doentes”, declarou a repórteres em Ancara. “Para mim, é apenas perda de tempo lidar com eles.”

“Eles são escória. São pessoas doentes. São liderados por pessoas doentes”, declarou a repórteres em Ancara. “Para mim, é apenas perda de tempo lidar com eles.”

Embora Trump tenha, em alguns momentos, recuado de ameaças feitas contra o Irã, os preços do petróleo dispararam e as bolsas caíram após seus comentários mais recentes.

A retomada das hostilidades também aumentou as preocupações com a segurança no Estreito de Ormuz. Dados de navegação mostram que pelo menos quatro navios-tanque de petróleo e gás retornaram em vez de tentar atravessar a via navegável, uma rota de abastecimento vital.

A Guarda Revolucionária do Irã (IRGC) informou hoje que havia atacado instalações militares dos EUA no Barein e no Kuweit e que derrubou um drone norte-americano MQ-9 que tentava interferir na operação. Os EUA haviam realizado anteriormente novos ataques militares e revogado uma licença que permitia ao Irã vender petróleo, em resposta a ataques contra três navios-tanque no estreito.

O Comando Central norte-americano informou que mais de 60 pequenas embarcações utilizadas pela IRGC estavam entre os alvos atingidos em uma operação que, segundo o comando, visava impor custo elevado ao Irã pelos ataques à navegação, em violação ao cessar-fogo.

“A agressão injustificada das forças iranianas é uma violação clara e perigosa do cessar-fogo e compromete a liberdade de navegação”, afirmou o Comando Central em comunicado.

“A agressão injustificada das forças iranianas é uma violação clara e perigosa do cessar-fogo e compromete a liberdade de navegação”, afirmou o Comando Central em comunicado.

O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, disse a repórteres, antes da cúpula da aliança, que os novos ataques dos EUA contra o Irã eram “absolutamente necessários”.

A chefe de Política Externa da UE, Kaja Kallas, declarou posteriormente na rede social X que “as trocas de disparos entre os EUA e o Irã complicam ainda mais as negociações — já tensas — para encerrar a guerra. Os ataques do Irã ao Barein e ao Kuwait são inaceitáveis.”

O alto comando militar conjunto do Irã, Quartel-General Central Khatam al-Anbiya, condenou os ataques dos EUA classificando-os como “ato flagrante de agressão”, ameaçou com uma “resposta esmagadora” e alertou que Teerã não permitirá a interferência dos EUA na gestão do estreito.

Um importante negociador iraniano, o presidente do Parlamento, Mohammad Baqer Qalibaf, acusou os EUA de violarem o acordo de cessar-fogo. Ele citou não apenas os mais recentes ataques militares norte-americanos, mas também a renovação das sanções ao petróleo, violações relacionadas aos “ajustes” iranianos no Estreito de Ormuz e ataques israelenses contra o Líbano.

“A era da intimidação e da extorsão acabou”, disse Qalibaf em publicação no X. “Não cederemos.”

“A era da intimidação e da extorsão acabou”, disse Qalibaf em publicação no X. “Não cederemos.”

A mídia iraniana havia noticiado anteriormente explosões no principal centro petrolífero do Irã, na Ilha de Kharg, na Ilha de Qeshm e nas cidades portuárias de Sirik e Bandar Abbas, no sul do país.

A Press TV do Irã informou que várias explosões foram ouvidas no sul da Ilha de Kharg. O Centcom não fez menção à Ilha de Kharg, de onde o Irã exporta 90% de seu petróleo bruto. 

Uma autoridade norte-americana disse à Reuters que os ataques tiveram como alvo sistemas de defesa aérea iranianos, sistemas de vigilância costeira, mísseis terra-ar, mísseis de cruzeiro antinavio e bases de lançamento de drones. Não foram registradas mortes de civis no Irã, mas várias pessoas ficaram feridas por estilhaços de um “projétil inimigo” que atingiu um cais comercial em Sirik, segundo um repórter da TV estatal iraniana. As reportagens indicaram que os ataques também atingiram cais de pesca em Sirik e em Bandar Abbas.

Os incidentes representaram a mais recente ameaça ao frágil acordo de cessar-fogo firmado entre os EUA e o Irã no mês passado, que suspendeu o conflito iniciado com ataques dos EUA e de Israel em toda a República Islâmica.

Em golpe potencialmente grave para esse acordo, Washington decidiu, nessa terça-feira (7), retirar uma concessão fundamental que permitia ao Irã vender petróleo nos mercados internacionais.

Os preços do petróleo subiram mais de 3% após o anúncio da medida pelos EUA.

Uma autoridade norte-americana havia afirmado anteriormente que os negociadores continuavam a trabalhar de boa-fé para chegar a um acordo final com o Irã. Mas o controle do estreito deu a Teerã enorme vantagem, permitindo efetivamente forçar um impasse com a força militar mais poderosa do mundo.

Analistas afirmam que Teerã usa os ataques a navios para reforçar essa vantagem, enquanto negocia um acordo de paz de longo prazo com os EUA.

Segundo o acordo provisório entre os EUA e o Irã, o Treasury dos EUA emitiu, em 22 de junho, licença geral para permitir a venda de petróleo bruto e produtos petroquímicos e petrolíferos de origem iraniana até 21 de agosto. Ao revogar essa licença na terça-feira, concedeu ao Irã até 17 de julho prazo para encerrar quaisquer transações.

O Ministério das Relações Exteriores do Irã condenou a medida como violação do acordo preliminar para pôr fim à guerra e afirmou que Washington arcaria com a responsabilidade pelas consequências.

O ministério informou, na manhã desta quarta, que o Irã tomaria todas as medidas que considerasse necessárias para salvaguardar seus interesses e a segurança nacional.

Embora Teerã tenha negado responsabilidade pelos últimos ataques a navios no estreito, o Catar culpou o Irã pelos ataques às embarcações, incluindo o enorme navio-tanque de gás natural liquefeito catariano, o Al Rekayyat, que relatou ter sido atingido por um drone, o que causou um incêndio em sua sala de máquinas. A tripulação estava em segurança e estava sendo evacuada.

Um petroleiro de bandeira saudita, que se acredita ser o superpetroleiro Wedyan, também foi danificado ao largo de Omã, segundo fontes de segurança marítima. A causa não ficou clara imediatamente.

O Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou que as acusações do Catar eram desconcertantes e que Teerã estava cumprindo diligentemente seus compromissos. Mesmo assim, disse que as embarcações comerciais corriam riscos ao utilizar rotas não coordenadas com o Irã.

Uma segunda autoridade norte-americana, falando sob condição de anonimato, disse que as indicações iniciais apontavam que o Irã reria disparado contra três navios comerciais.

Os governantes clericais do Irã pretendem estabelecer um sistema permanente de cobrança de taxas, o que representaria enorme mudança no equilíbrio de poder em uma região onde Washington há muito atua como garantidor da segurança.

Os ataques dos EUA ocorreram depois que grandes multidões prestaram homenagem ao líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, na cidade sagrada de Qom. Khamenei foi morto junto com sua filha, neta, genro e nora no primeiro dia da guerra.

O cessar-fogo tinha como objetivo proporcionar um prazo de 60 dias para negociações sobre um acordo permanente, mas as conversações indiretas no Catar terminaram na semana passada sem sinais de avanço.

O presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou repetidamente retomar os bombardeios, a menos que o Irã concorde em “fechar um acordo”.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, afirmou que, nos termos do memorando de cessar-fogo provisório, as negociações sobre o acordo final “não terão início se as ameaças continuarem”.

*(Reportagem de equipe da Reuters em Teerã e redações da Reuters)

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Agência Brasil

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