Roda de conversa debate sobre o machismo e misoginia no ambiente acadêmico

Texto: Anne Vieira – Estagiária de Jornalismo

A Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern) promoveu nesta quinta-feira, 20, uma roda de conversa com o seguinte tema: “Convivência Universitária: enfrentando o machismo, o patriarcado e as novas formas de misoginia no ambiente acadêmico”, integrada na programação do Agosto Lilás da instituição.  O encontro ocorreu no auditório Multiuso da Biblioteca, em Mossoró. 

A discussão abordou como comportamentos machistas e práticas de misoginia podem se manifestar no cotidiano universitário, inclusive por meio de situações que nem sempre são imediatamente reconhecidas como formas de violência. A atividade também tratou da importância de identificar essas situações, conhecer os direitos das mulheres e saber quais caminhos podem ser buscados para orientação e acolhimento.

Participaram da mesa de abertura a titular da Diretoria de Ações Afirmativas e Diversidade (Diaad), Eliane Anselmo; a ouvidora-geral da Uern, Carmem Sousa; e Anairam de Medeiros, representando a reitora da Universidade, Sicília Maia. 

Ao falar sobre o papel da universidade nesse processo, Eliane Anselmo destacou a importância de levar informações para a comunidade. “A universidade cumpre mais uma vez seu papel pedagógico de levar conhecimento e informação para toda comunidade acadêmica e geral”, afirmou. 

Após o momento de abertura, a mesa redonda para debater o tema central do encontro foi formada com a professora Fernanda Abreu, titular da Pró-reitoria de Ensino de Graduação da Uern e presidente da Comissão da Mulher Advogada da OAB/RN – Subseccional Mossoró; a assistente social Kleylenda Linhares da Silva, que atua na Sala Lilás do Hospital da Mulher; a professora Ana Luiza, diretora do  Setor de Relações e Identidade de Gênero, Direitos das Mulheres e da Comunidade LGBTQIA+; a professora Suamy Soare e a ouvidora Carmem Sousa. 

A discussão chamou atenção para situações de violência que podem começar em comportamentos aparentemente cotidianos. Para Carmem Sousa, refletir sobre essas manifestações possibilita que as mulheres reconheçam diferentes formas de violência e saibam onde buscar ajuda. “A gente está aqui refletindo sobre a importância de falar sobre essa temática dentro dos espaços universitários, muitas vezes a gente vivencia no nosso cotidiano micro agressões e são momentos como esse em que a mulher vai identificar e refletir sobre o que está acontecendo e a quem ela pode pedir ajuda”, destacou.

Ela destaca que a ouvidoria atua dentro da universidade como um espaço seguro de escuta qualificada, onde técnicos, terceirizados, docentes e discentes podem procurar orientações.  O setor também atua no recebimento e encaminhamento das situações de violência e assédio, conforme os protocolos institucionais de atendimento. 

Para a estudante Tenalyn Rocha, do curso de Ciências Sociais, a participação em atividades como a roda de conversa contribui para ampliar a conscientização sobre problemas sociais e fortalecer o envolvimento dos estudantes com a temática. “Acho importante esse tipo de ação pela questão da conscientização. Então escutar pessoas que têm muito domínio sobre o assunto traz pra gente esse senso de pertencimento”, afirmou.

A estudante também relacionou a discussão com sua formação acadêmica e o compromisso de levar o debate para seu cotidiano. “Como estudante de Ciências Sociais, é muito importante para mim que eu enxergue esses problemas sociais e eles se tornem uma luta presente na minha vida”, completou.

 

UERN

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