O governador Eduardo Leite: “A produção de biometano ajuda o Estado a ter uma fonte de energia segura e fundamental para o nosso desenvolvimento”
Edição Scriptum
O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), anunciou na quinta-feira (13) que a Expointer – uma das maiores e mais tradicionais feiras do agronegócio no Brasil – terá este ano, pela primeira vez em sua história, uma edição “carbono neutro”. Ele explicou que a iniciativa será viabilizada por meio de edital lançado pela Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura para aquisição de créditos de carbono.
De acordo com a secretária gaúcha do Meio Ambiente e Infraestrutura, Marjorie Kauffmann, o edital faz chamada pública voltada a empresas que tenham créditos de carbono certificados e que queiram participar como parceiras do governo do Estado em diferentes eventos. “A Expointer é o primeiro evento em que o governo irá fazer isso, mas poderemos ter outros que sejam neutralizados por esses créditos”, reforça a secretária. No caso da Expointer, a CRVR será a empresa responsável pela compensação das emissões de gases de efeito estufa.
Eduardo Leite anunciou a novidade durante a inauguração da segunda usina de biometano a partir de aterro sanitário no Estado, que será operada pela CRVR. A empresa irá produzir biometano (biogás purificado oriundo de resíduos orgânicos), evitando que o metano gerado pelos resíduos orgânicos descartados vá para a atmosfera e, com isso, obterá os créditos de carbono.
A planta, instalada na Unidade de Valorização Sustentável da CRVR em São Leopoldo, recebeu investimento de R$ 95 milhões e terá capacidade para produzir 34 mil Nm³/dia de combustível renovável. O projeto contou com financiamento de R$ 76,4 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Matriz energética
Na cerimônia de lançamento, que reuniu autoridades e representantes do setor produtivo, o governador gaúcho destacou que o projeto fortalece a matriz energética do Estado e contribui para um modelo mais sustentável. “A produção de biometano ajuda o Estado a ter uma fonte de energia segura e fundamental para o nosso desenvolvimento econômico. No total das plantas de biometano, o Estado pode produzir aqui mais de 10% da sua demanda de gás. Celebramos um duplo benefício. Por um lado, a energia que é gerada. Por outro lado, um melhor destino para resíduos, reduzindo a emissão de carbono e metano na atmosfera”, afirmou.
O diretor-presidente da CRVR, Leomyr Girondi, ressaltou que a iniciativa transforma passivos ambientais em ativos econômicos. “Sempre teremos, inerente à atividade humana, e especialmente nas grandes cidades, uma geração de resíduos orgânicos, e estamos transformando esse passivo em um ativo ambiental. É um gás de fonte renovável que substitui os gases de origem fóssil com grandes vantagens e é produzido aqui, gerando empregos e tributos no nosso Estado”, disse.
A unidade da CRVR em São Leopoldo recebe resíduos de cerca de 58 municípios e conta com a primeira planta de triagem semimecanizada do Rio Grande do Sul, capaz de processar 15 toneladas de resíduos por hora. Essa estrutura permite recuperar materiais recicláveis que retornam à cadeia produtiva, reduzindo o volume destinado ao aterro e fortalecendo a economia circular. O complexo também abriga uma planta da Biotérmica, responsável pela geração de energia elétrica a partir do biogás captado no aterro, com capacidade de 1 MWh. A energia gerada será utilizada para alimentar a própria planta de biometano, tornando o processo ainda mais sustentável.
A nova usina é a segunda operação de biometano implantada pela CRVR no estado. A primeira foi inaugurada em Minas do Leão, em setembro do ano passado. Juntas, as unidades possuem capacidade produtiva de 100 mil Nm³/dia. A iniciativa integra a estratégia do Grupo Solví, controlador da CRVR, e reforça o compromisso com a transformação de resíduos urbanos em energia limpa. A escolha de São Leopoldo leva em conta o potencial estratégico da região, que abriga um polo industrial relevante, ampliando as possibilidades de uso do biometano em larga escala.


