Reino Unido vai iniciar testes da vacina contra ebola em humanos

A health worker takes the temperature of an M23 rebel at the entrance to the Rodolphe Merieux Laboratory, National Biomedical Research Institute (INRB), where samples from suspected Ebola cases are examined, as part of the response to the epidemic in Goma, North Kivu province of the Democratic Republic of Congo, May 19, 2026. REUTERS/Arlette Bashizi

A Universidade de Oxford lançou o primeiro ensaio clínico em seres humanos de uma vacina contra o ebolavírus de Bundibugyo, um dos vários vírus que podem provocar ebola. O objetivo é acelerar os esforços para combater o surto vigente na República Democrática do Congo e em Uganda.

Os cientistas da Universidade de Oxford começaram a desenvolver a vacina há oito semanas, quando foi declarada emergência de saúde pública pela Organização Mundial da Saúde.

Esta é a primeira de quatro vacinas em desenvolvimento a entrar na fase de ensaios clínicos.

Os pesquisadores estão recrutando voluntários, prevendo-se que as primeiras doses sejam administradas a adultos saudáveis no Reino Unido “dentro de algumas semanas”.

O ensaio em fase inicial, conhecido como BD-Ebov, irá avaliar a segurança e a resposta imunitária da vacina em 50 adultos saudáveis com idades entre 18 e 55 anos, em Oxford, de acordo com a universidade.

Os voluntários vão ser monitorados durante um ano, mas os cientistas acreditam que saberão rapidamente se a vacina está produzindo o tipo certo de resposta imunitária ou algum efeito secundário inesperado.

Com epicentro na República Democrática do Congo, a epidemia de ebola causou a morte de 625 pessoas e 1.792 casos confirmados em laboratório. O causador da epidemia é o tipo Bundibugyo do vírus ebola, que já esteve na origem de dois surtos anteriores.

O surto ocorre em uma zona de conflito com populações em constante deslocamento, o que aumenta a necessidade de uma vacina para ajudar a travar a propagação da doença.

“Estamos constantemente a realizar ensaios de fase um de novas vacinas, precisamente para estarmos preparados para este tipo de surto”, disse à BBC Katrina Pollock, pesquisadora da Universidade de Oxford que lidera o ensaio clínico. Os pesquisadores estão trabalhando com parceiros em Uganda para que sejam iniciados ensaios clínicos também na África.

Os cientistas de Oxford conseguiram desenvolver a vacina em poucas semanas porque estão usando a mesma tecnologia que ganhou fama durante a pandemia da covid-19 e que acabou por ser usada na vacina da Oxford/AstraZeneca.

A vacina utiliza um vírus comum que infeta os chimpanzés e que foi geneticamente modificado para se tornar seguro. A inoculação produz uma proteína viral do ebola no organismo, permitindo que o sistema imunitário reconheça a ameaça em caso de infeção e desencadeie uma resposta imunitária.

A vacina foi já testada em ratos e macacos e está a sendo fabricada de acordo com as normas clínicas pelo Serum Institute of India. Este instituto já fabricou e armazenou cerca de 620 mil doses. 

Agência Brasil

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