O Brasil dos anos 1800 nos relegou indivíduos importantes em sua paisagem humana. Pessoas cuja imagem junto ao grande público passeou entre o mitológico e o fantástico; o lendário e o inimaginável; o religioso e o fantasmagórico, o heroico e o criminoso. Seres cujos fazeres, para o bem e/ou para o mal, os fizeram figurar no panteão dos grandes personagens da história nacional, saltando, muitas vezes, do anedótico para o fático; do prosaico para o extraordinário; do vulgar para o excepcional.
Jesuíno Brilhante é um desses indivíduos. Com uma trajetória marcada na historiografia criminal do século XIX como um dos mais importantes nomes do banditismo que predominou no sertão nordestino daquela época, Jesuíno Brilhante dividiu opiniões, mobilizou narrativas, inspirou a cultura popular e se firmou, ao mesmo tempo como protagonista e antagonista do principal enredo utilizado para lembrar um dos tempos mais difíceis de vivência numa das mais áridas e pobres regiões do país: a criminalidade.
Foi esse personagem que atraiu o olhar do professor-doutor Francisco Linhares Fonteles Neto ao empreender, durante uma década, pesquisas sobre o banditismo. O resultado dos estudos fez Linhares nos legar um livro que não tardará a compor as fileiras das obras canônicas da história social do crime.
Em “O Banditismo nos sertões do Brasil: o caso de Jesuíno Brilhante”, o leitor tem a chance de um encontro com a história do sertão nordestino sem as facetas ilusórias dos que buscaram conseguir a glória com a perseguição sob pretexto de fazer Justiça e sem os exageros das tintas tipográficas dos periódicos matutinos.
Em seu livro, Linhares desvela sem destruir sensibilidades; revela sem remover impressões; desvenda sem produzir reduções, não somente porque Jesuíno foi um personagem plural, mas porque o trabalho de Linhares traz camadas que explicam, dimensões que se complementam e descobertas que orientam, deixando ao leitor a doce tarefa de reconstruir, com sua própria percepção, contextos que ajudam a entender como se deram as relações entre o poder, o crime e a violência nos sertões.
Apesar do necessário rigor científico empregado em sua gestação, “O Banditismo nos sertões do Brasil: o caso de Jesuíno Brilhante” é um livro que nasceu para circular para além da academia, e para atrair mais do que os que se interessam pela História do crime. Uma obra para pensar sobre a violência rural no Brasil do século XIX, para refletir sobre os fenômenos históricos e sociais do Nordeste e as formas como os personagens são erigidos à condição de heróis ou vilões.
O livro será lançado no próximo dia 6 de maio, a partir das 17h, no auditório da Faculdade de Filosofia de Ciências Sociais (FAFIC) ,da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), durante o V Simpósio Nacional de História do Crime.
SOBRE O AUTOR
Prof Francisco Linhares é graduado em História pela UFC (2002) e mestre em História Social pela mesma universidade (2005); foi bolsista CAPES no PROCAD – Programa de Cooperação Acadêmica dentro do convênio UFC/UNICAMP que possibilitou a realização do mestrado sanduíche no segundo semestre de 2003, na UNICAMP. Doutor em História Social pela UFRJ (2015), desenvolveu pesquisa de pós-doutoramento no IEB-USP com bolsa PDJ-CNPq com supervisão da profa. dra Monica Duarte Dantas (2021-2022). Atualmente é professor Adjunto IV da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte, atuando nos cursos de graduação em História e dos cursos de pós-graduação ProfHistória e PPGCISH. Foi Coordenador Institucional do PIBID-UERN (2016). Participou como parecerista do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) nas edições de 2019, 2020, 2022 e 2023. Foi coordenador do programa interdisciplinar de Ciências Sociais e Humanas – PPGCISH (2017-2021). Atualmente é coordenador do ProfHistória- UERN. Tem experiência na área de História, atuando principalmente nos seguintes temas: Cidades, Polícia, Controle Social, História Social do Crime, Narrativas de Crime na Imprensa e Banditismos no século XIX.
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