OMS defende calendário vacinal após Trump reduzir imunização infantil

Presidente dos EUA, Donald Trump, assina decreto sobre vacinas na Casa Branca
  10 de agosto de 2026   REUTERS/Kylie Cooper

A Organização Mundial da Saúde (OMS) defendeu nesta terça-feira (11) o processo baseado em evidências científicas utilizado para determinar os calendários de vacinação infantil, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter assinado um decreto para reduzir o número de vacinas infantis recomendadas no país.

Na segunda-feira (10), Trump assinou um decreto determinando a redução do calendário de vacinação infantil de 17 imunizantes para 11. Trump afirmou que a medida vai proporcionar às crianças norte-americanas uma proteção “padrão-ouro” e alinhar os EUA mais estreitamente com outros países desenvolvidos que recomendam menos vacinas.

Especialistas em imunização afirmam que países desenvolvidos que recomendam menos vacinas enfrentam riscos diferentes de doenças e possuem sistemas de saúde distintos.

O decreto promove um objetivo de longa data do secretário de Saúde dos EUA, Robert F. Kennedy Jr., que questiona a segurança das vacinas e promove alegações que associam vacinas ao autismo, embora estudos científicos e autoridades de saúde pública não tenham encontrado evidências de tal relação.

O porta-voz da OMS, Tarik Jašarević, disse em uma coletiva de imprensa em Genebra que as recomendações de imunização se baseiam em mais de 60 anos de pesquisas realizadas pela organização, autoridades nacionais e grupos de especialistas independentes.

O momento da aplicação de cada vacina foi determinado por meio de uma extensa análise científica sobre quando as pessoas estavam mais vulneráveis a determinadas doenças e sobre o desenvolvimento do sistema imunológico, explicou Jašarević aos repórteres em Genebra.

Jašarević disse que os países geralmente contam com grupos técnicos consultivos nacionais de imunização, compostos por especialistas multidisciplinares que fornecem recomendações independentes e baseadas em evidências aos governos e aos gestores de programas de vacinação.

Esses grupos, segundo ele, se baseiam nas orientações do Grupo Consultivo Estratégico de Especialistas em Imunização (Sage), da OMS, ao estabelecer os calendários nacionais: “o que a OMS apresenta tem base científica.”

“Esperamos que todos os países utilizem essas melhores evidências científicas de que dispomos.”

“Esperamos que todos os países utilizem essas melhores evidências científicas de que dispomos.”

O decreto de Trump gerou críticas de associações médicas, especialistas em saúde pública e fabricantes de vacinas, que afirmam não haver novas evidências científicas que justifiquem as mudanças e que o calendário vigente nos EUA reflete décadas de evidências e as necessidades específicas de saúde dos norte-americanos, rejeitando a comparação com outros países.

Médicos alertaram que reduzir o número de vacinas recomendadas pode deixar mais crianças vulneráveis a doenças evitáveis e criar confusão entre os pais sobre quando as crianças devem ser imunizadas.

A ordem de Trump também recomenda separar a vacina combinada contra sarampo, caxumba e rubéola em três injeções individuais.

A fabricante de vacinas MSD afirmou que não há evidências científicas publicadas que demonstrem um benefício na divisão da vacina e alertou que consultas separadas podem aumentar o risco de atrasos ou omissões na vacinação.

 

Agência Brasil

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