Negociadores do Irã seguem para Suíça; combates no Líbano continuam

O resort Buergenstock, em Obbuergen, onde poderiam ocorrer possíveis negociações entre as delegações dos EUA e do Irã após a assinatura, pelos presidentes dos dois países, de um acordo provisório com o objetivo de pôr fim à guerra, visto de Lucerna, na Suíça
19 de junho de 2026
REUTERS/Denis Balibouse

Uma delegação iraniana de alto nível partiu para a Suíça neste sábado (20) para conversações com os Estados Unidos, segundo informou a mídia estatal iraniana; enquanto o vice-presidente dos EUA, JD Vance, indicou que partiria em breve para reuniões que, segundo o Paquistão, terão início no domingo (21).

A delegação iraniana foi liderada pelo negociador-chefe Mohammad Baqer Qalibaf e incluiu o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araqchi, além de altos funcionários das áreas de segurança, do Banco Central e do setor petrolífero, informou a mídia iraniana.

Horas antes, a Guarda Revolucionária Islâmica de Teerã havia declarado o fechamento do Estreito de Ormuz, o que pareceu elevar riscos antes das negociações, já que ambos os lados buscam avançar em um acordo provisório mediado pelo Paquistão e assinado na quarta-feira pelo presidente dos EUA, Donald Trump, e pelo presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, para pôr fim à guerra que já dura quase quatro meses.

O Irã alertou navios para que não se aproximassem da via navegável, um canal vital para o abastecimento global de petróleo e gás, citando o que chamou de “crimes” israelenses no Líbano e uma violação dos compromissos dos EUA de estabelecer um cessar-fogo. A Guarda afirmou que a segurança das embarcações estaria em risco caso se aproximassem de Ormuz.

O Comando Central dos EUA, no entanto, informou que 55 navios mercantes haviam transitado pelo estreito neste sábado, transportando grandes quantidades de carga e mais de 17 milhões de barris de petróleo para os mercados globais, e que as forças americanas garantiriam a continuidade do tráfego marítimo.

Mohammad Mokhber, assessor do líder supremo iraniano, o aiatolá Mojtaba Khamenei, acusou os EUA, na rede social X, de não cumprirem a primeira cláusula do acordo provisório de 14 pontos com o Irã, que inclui um cessar-fogo “em todas as frentes”, incluindo o Líbano.

Ele afirmou que, enquanto o acordo permanecer apenas no papel, o fluxo de energia do Oriente Médio continuará interrompido.

A trégua no Líbano parecia frágil, já que as forças israelenses e o grupo militante Hezbollah, apoiado pelo Irã, atacavam-se mutuamente.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, disse que, durante as negociações na Suíça, seu país pressionaria pelo cumprimento dos compromissos, citando falhas anteriores da outra parte em honrar os acordos.

Um pouco antes, a Fox News transmitiu uma entrevista com Vance na qual ele disse estar confiante de que o cessar-fogo acordado no pacto de 14 pontos entre Washington e Teerã se manteria, e que não havia nenhuma evidência de que o estreito estivesse fechado.

“Espero partir nos próximos dois dias, mas, como você sabe, é sempre uma dança delicada de coordenação e protocolos diplomáticos”, disse Vance.

Ele acrescentou que os negociadores norte-americanos Jared Kushner e Steve Witkoff estavam na Suíça “há algumas horas, lidando com alguns dos aspectos técnicos dessa negociação”.

“Pelo que entendi, conversando com Jared e Steve esta manhã, as coisas estão indo bem”, acrescentou ele.

O Ministério das Relações Exteriores do Irã informou que seus negociadores partiriam para a Suíça ainda neste sábado.

Uma das condições para o início das negociações de 60 dias entre os EUA e o Irã sobre o programa nuclear de Teerã e outras questões é a suspensão dos combates no Líbano.

No entanto, a Defesa Civil libanesa informou que 16 pessoas foram mortas por ataques israelenses no Líbano neste sábado, poucas horas após a trégua ter entrado em vigor no país.

Israel afirmou que estava respondendo a ataques do Hezbollah, enquanto o grupo apoiado pelo Irã declarou que não permitiria a Israel “liberdade de movimento” no Líbano.

Israel, que ficou de fora das negociações, afirma não ser parte do acordo entre o Irã e os EUA e disse que manterá suas forças no território libanês que ocupa.

A agência de notícias estatal do Líbano, NNA, informou que aviões de guerra e drones israelenses atacaram locais no sul do Líbano e no Vale do Bekaa no sábado, ambos redutos do Hezbollah.

O serviço de defesa civil informou que 16 pessoas morreram nos ataques.

Um oficial militar israelense disse que o Hezbollah disparou mais de 50 projéteis contra as forças israelenses no sul do Líbano durante a madrugada, e que Israel atacou o que descreveu como alvos do Hezbollah em resposta.

Um comunicado militar afirmou que Israel está comprometido com o cessar-fogo e continuará a agir contra qualquer ameaça a Israel ou às suas forças.

O Ministério da Saúde do Líbano afirma que 4.057 pessoas foram mortas em ataques israelenses desde 2 de março, incluindo profissionais de saúde, mulheres e crianças, embora não especifique quantos dos mortos eram combatentes.

As autoridades israelenses afirmam que pelo menos 32 soldados e quatro civis foram mortos nos combates contra o Hezbollah.

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Agência Brasil

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