O avanço tecnológico promovido pelo programa Genius no Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) fundamenta-se na capacitação de seu corpo funcional. A instituição estruturou o letramento digital e a mudança cultural como eixos centrais da estratégia. A diretriz foi desenhada para superar resistências ao uso de novas ferramentas tecnológicas no ambiente jurídico tradicional.
A difusão do conhecimento ocorreu por meio de oficinas presenciais e itinerantes que percorreram diferentes regiões do Rio Grande do Norte, interligando polos de Natal a cidades do interior como Mossoró e Caicó. Entre 24 de fevereiro do ano passado e 1º de junho deste ano, foram realizadas 31 oficinas. Ao todo, o treinamento capacitou mais de 800 integrantes, entre promotores e procuradores de Justiça, assessores e servidores.
O conteúdo programático dividiu-se em três pilares fundamentais: letramento digital, controle de dados e revisão responsável. As aulas capacitaram as equipes a elaborar instruções de texto claras para a plataforma, incentivo a inovação e a entender os limites das ferramentas. A gestão de dados reforçou os protocolos de manuseio de informações em conformidade com o sigilo legal e a LGPD.
“O verdadeiro pioneirismo do MPRN não reside apenas na aquisição de softwares, mas no empoderamento e na qualificação do nosso corpo funcional, garantindo que a governança e o alinhamento estratégico guiem cada inovação”, aponta o chefe de Gabinete da PGJ, promotor de Justiça Leonardo Nagashima.
A instrução sobre revisão responsável fixou o princípio do “humano no circuito”, que orienta os integrantes a checar rigorosamente os textos da IA para mitigar possíveis erros ou alucinações de dados. A metodologia assegura que a decisão final e a responsabilidade jurídica continuem integralmente a cargo do operador humano. A estratégia de capacitação registrou um índice de aprovação superior a 95% na adoção das ferramentas.
Essa preparação do corpo funcional permitiu que os usuários atuassem ativamente na evolução do sistema. O engajamento resultou na criação do Banco de Prompts do MPRN, lançado em 10 de fevereiro de 2024 com 25 casos de uso. Alimentado de maneira estritamente colaborativa por membros e servidores, o banco conta atualmente com mais de 130 modelos de instruções.
O portal centralizado funciona como um ambiente de cooperação onde os usuários sugerem melhorias contínuas para refinar as respostas e interações com a IA. Para garantir a segurança nas rotinas, o sistema disponibiliza diretrizes explícitas sobre quando aplicar cada comando. Uma equipe técnica realiza a curadoria de todos os prompts inseridos para chancelar a conformidade jurídica.
“A busca pela capacitação e qualificação dos nossos integrantes em inteligência artificial é o grande motor para incentivar uma mudança de cultura na instituição. Todos concordam que a inteligência artificial veio para apoiar, e não para concorrer”, reforça o procurador-geral de Justiça, Glaucio Garcia.
A convergência entre o treinamento contínuo e os sistemas seguros modificou a dinâmica de trabalho no MPRN. O domínio técnico gerou maior segurança no corpo funcional para a adoção cotidiana da inteligência artificial generativa. Esse letramento digital pavimentou o caminho para os ganhos operacionais expressivos que hoje já são verificados nas Promotorias de Justiça em todo o Estado e na área administrativa do MPRN.
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