Irã ameaça fechar mais rotas marítimas; EUA lança nova onda de ataques

Embarcações no Estreito de Ormuz, vistas de Musandam, Omã
8 de julho de 2026

A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã ameaçou fechar “todos os outros corredores de exportação de petóleo que beneficiam os EUA e os seus aliados”, informaram os meios de comunicação iranianos, depois de o país ter fechado o Estreito de Ormuz e de os EUA terem ter anunciado a volta de um bloqueio naval aos portos iranianos. 

“As exportações regionais de energia são compartilhadas com todos ou negadas para todos”, afirmou a Guarda Revolucionária em um comunicado divulgado pela agência de notícias estatal iraniana Irna nesta quarta-feira (15).

A Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) afirmou hoje que o Estreito de Ormuz permanecerá fechado até o que descreveu como “o fim dos males da América”. 

Antes do início da guerra, em fevereiro, cerca de um quinto das remessas globais de petróleo e gás passavam diariamente por Ormuz.

A Guarda Revolucionária disse ter atacado instalações que descreveu como de comando e controle, logística, combustível e equipamento militar pertencentes à Quinta Frota dos EUA no Bahrein, em resposta aos mais recentes ataques americanos no Estreito de Ormuz.

Disseram ainda ter incendiado e destruído uma instalação logística americana em Mina Abdullah, no Kuwait, e atacado uma base americana em Azraq, na Jordânia, visando hangares de aeronaves. De acordo com a IRGC, alguns dos ataques americanos foram lançados a partir de bases em território da Jordânia.

As hostilidades entre Irã e EUA recomeçaram na semana passada, fragilizando ainda mais o já frágil cessar-fogo alcançada em junho, após vários meses de combates que fizeram milhares de mortos.

A mais recente ameaça à navegação global surge um dia depois de os militares norte-americanos terem anunciado o início de uma nova onda de ataques “para continuar a degradar as capacidades iranianas utilizadas para atacar navios mercantes no Estreito de Ormuz”.

Os Estados Unidos afirmaram que o Irã atacou sete navios mercantes na última semana, resultando em quase uma dezena de tripulantes mortos, desaparecidos ou feridos.

Há pelo menos 19 navios de guerra estadunidenses no mar Arábico, incluindo dois porta-aviões e um navio de assalto anfíbio com mais de mil fuzileiros a bordo. O Comando Central dos EUA informou ainda que “centenas de aeronaves militares operam em todo o Médio Oriente”.

Os militares dos EUA informaram, na noite de terça-feira (14), que atingiram dezenas de alvos militares perto do Estreito de Ormuz e em regiões costeiras iranianas. A onda de ataques durou sete horas, segundo comunicado do Comando Central dos EUA.

O presidente Donald Trump ameaçou, ontem à noite, atingir centrais elétricas e pontes iranianas na próxima semana, a menos que Teerã retome as negociações.

“Deixarei os alvos energéticas para o fim, mas, no final do dia, atingiremos esses alvos”, disse Trump em entrevista a Trey Yingst, da Fox News.

Trump acrescentou que, “na próxima semana, a situação vai ser muito ruim para eles”.

“Vamos destruir todas as suas centrais elétricas. Vamos destruir todas as suas pontes, a não ser que se sentem na mesa das negociações.”

“Vamos destruir todas as suas centrais elétricas. Vamos destruir todas as suas pontes, a não ser que se sentem na mesa das negociações.”

Os negociadores estadunidenses contataram seus homólogos iranianos para avisar: “É melhor fecharem um acordo”, acrescentou Trump.

O acordo provisório previa passagem gratuita pelo estreito durante 60 dias, mas deixou em aberto o futuro, com Teerã afirmando ter direito a gerir o tráfego e cobrar taxas, posição contestada por Washington.

O preço do barril de Brent chegou a ultrapassar os US$ 87 dólares na terça-feira, ainda abaixo dos quase US$ 120 dólares registrados no auge da guerra, mas caiu para US$ 78 dólares, após o anúncio de Trump.

 

Agência Brasil

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