Haiti marca para dezembro primeira eleição em uma década

Uma mulher vota em uma seção eleitoral no Mercado de Canape Vert, em Porto Príncipe, no Haiti
29 de janeiro de 2017
REUTERS/Andres Martinez Casares

O Conselho Eleitoral do Haiti marcou, nesta segunda-feira (27), as primeiras eleições presidenciais em uma década. O pleito está previsto para dezembro, com um segundo turno em fevereiro.

Inicialmente, as eleições seriam em agosto, com segundo turno em dezembro, mas foram adiadas devido a preocupações com a segurança. O Haiti não realiza eleições desde 2016.

Seu último presidente, Jovenel Moïse, foi assassinado em 2021, após adiar a votação. Governos sucessivos foram encarregados de realizar uma eleição, mas afirmaram que a insegurança em meio a um conflito com poderosas gangues armadas tornou isso impossível.

O conselho publicou nesta segunda-feira um calendário que define o primeiro turno das eleições presidenciais e legislativas do Haiti para 13 de dezembro, com o segundo turno marcado para 21 de fevereiro. Também foi definida a publicação dos resultados finais para 7 de março.

Os cidadãos também deverão votar em emendas à Constituição e eleger representantes locais, segundo o calendário.

O conselho destacou que o calendário depende da “criação de um clima de segurança aceitável e dos recursos financeiros necessários para a realização das operações eleitorais”.

Mais cedo neste mês, o conselho informou que havia iniciado o cadastro de eleitores e o treinamento de agentes de segurança eleitoral, além de ter publicado uma lista definitiva com mais de 300 partidos políticos aprovados para disputar o próximo processo eleitoral.

A violência contínua das gangues deixou os analistas céticos quanto à possibilidade de as novas datas eleitorais serem mantidas. Os efeitos em cadeia incluem escassez crônica de alimentos, extorsão, sequestros por resgate e deslocamentos forçados, acumulando ainda mais desafios para garantir uma votação livre e justa. Cerca de 12% da população do Haiti vive em acampamentos improvisados ou com famílias anfitriãs.

Gangues armadas violentas, em grande parte agrupadas sob uma ampla aliança conhecida como Viv Ansanm, assumiram o controle da maior parte da capital, Porto Príncipe, cuja região metropolitana abriga cerca de um quarto da população. As gangues também se expandiram para o centro e as áreas rurais do Haiti.

A Viv Ansanm, que vem buscando reconhecimento político, foi designada como organização terrorista por Washington e é acusada de sequestros em massa, estupros coletivos, incêndios criminosos, assassinatos indiscriminados e tráfico de armas, órgãos e drogas.

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Agência Brasil

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