Gilmar Mendes defende manutenção do inquérito das fake news até eleições

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, afirmou na quarta-feira, 22, que o inquérito das fake news deve continuar aberto “pelo menos até as eleições” deste ano. Ele ressaltou a importância da investigação diante dos ataques direcionados à Corte.

“Tenho a impressão de que o inquérito continua necessário e ele vai acabar quando terminar, isso precisa ser dito claramente. O tribunal tem sido atacado, como, por exemplo, a atitude do relator da CPI do Crime Organizado, que atacou a Corte e pediu o indiciamento de pessoas sem focar naqueles que realmente cometeram crimes. Isso pode ficar assim? Eu acho que não, é preciso haver uma resposta”, disse Gilmar em entrevista ao Jornal da Globo.

O ministro referiu-se ao relatório do senador Alessandro Vieira (MDB-SE), que solicitou o indiciamento de Gilmar Mendes, dos ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet, por ações e omissões relacionadas ao caso Master. O parecer foi rejeitado pela comissão.

Gilmar complementou que “foi um momento importante para o Supremo abrir e manter o inquérito ao menos até as eleições, pois considero isso relevante”.

O inquérito das fake news é uma investigação sigilosa criada para apurar ataques contra o STF, seus membros, ameaças à independência do Judiciário e ao Estado de Direito.

No mês passado, o inquérito completou sete anos. Segundo o Estadão, ele tem funcionado como instrumento do Supremo para proteção contra investidas externas.

Entre as controvérsias do inquérito estão sua instauração por iniciativa do então presidente do STF, ministro Dias Toffoli; a escolha do relator pelo presidente do Supremo; o sigilo mantido; e sua condução pelo ministro Alexandre de Moraes, atuando como juiz, ao invés de um delegado.

Durante a entrevista, Gilmar Mendes também comentou o embate com o ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência, Romeu Zema (Novo).

O ministro solicitou que Moraes inclua Zema no inquérito das fake news por compartilhar um vídeo satírico que relaciona ministros do STF ao dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.

Gilmar negou que o pedido tenha o intuito de agravar os ânimos. “Todos que atuam na vida pública devem agir com responsabilidade e evitar esse tipo de brincadeira. Zema tenta provocar, possivelmente aproveitando o momento eleitoral. Isso deve ser verificado”, comentou.

Desde segunda-feira, 20, Zema publicou mais de dez vídeos com críticas ao STF em seu Instagram. Ele diz ser vítima de perseguição e afirma que seguirá firme em suas declarações.

“Quero ver quem poderá me calar, só com um esparadrapo gigante e à força na boca. Caso contrário, continuarei dizendo que o STF virou o Supremo Balcão de Negócios”, declarou o ex-governador.

Créditos: tribuna do norte

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