O Conselho Universitário da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Consuni/Uern) aprovou a minuta de resolução que dispõe sobre o direito de estudantes e docentes vinculados(as) a comunidades tradicionais de terreiro de religiões de matriz africana ao uso de vestes talares na cor branca em cerimônias de colação de grau no âmbito da Universidade.
Com isso, a Uern reforça o seu compromisso com a promoção da diversidade, liberdade de crença, combate ao racismo religioso, descolonização do ritual acadêmico, ações afirmativas/inclusão e pertencimento/reconhecimento.
“Estamos em um momento histórico que urge por preencher lacunas que representam omissões que falam. E aqui estamos neste momento com a responsabilidade de preencher essa lacuna. Estamos garantindo o direito de todas e todos utilizarem as vestes talares brancas no momento mais simbólico de nossa função que é formar pessoas: a colação de grau”, destacou a relatora do projeto, a Profa. Dra. Patrícia Moreira de Menezes.
A Pró-reitora de Ensino de Graduação (Proeg), Fernanda Abreu, destaca que esse é mais um importante ato que reforça a defesa da Uern à diversidade. “Vamos passar a mensagem para a comunidade acadêmica de que a Uern abraça as mais variadas manifestações religiosas”, declara.
A titular da Diretoria de Ações Afirmativas e Diversidade (Diaad), Eliane Anselmo, destacaque o branco faz parte da identidade religiosa das pessoas de axé, dos praticantes das religiões de matriz africana, principalmente Candomblé e Umbanda. “Isso se reflete nos seus principais rituais. A importância simbólica do branco para essas tradições religiosas está estritamente relacionada a espiritualidade e aos Orixás. Em contraposição, o preto, cor tradicional das vestes talares, é evitado, por questões específicas dentro dessas tradições. Em ritos sagrados, o preto atrai vibrações contrárias à vida e ao axé que são celebrados. E a colação de grau é um ritual muito importante, como sabemos, assim como os rituais de iniciação religiosa nessas tradições. Com essa resolução que permite o uso de vestes talares brancas, a nossa universidade demarca mais um feito em nome do respeito à diversidade!”, frisa.
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