A decisão sobre o aval de um novo concurso INSS foi adiada para outubro. O motivo é defeso eleitoral, período de três meses que antecede o primeiro turno das eleições, no qual a legislação impõe restrições a agentes públicos.
Conforme apuração do Qconcursos Folha Dirigida, o Governo Federal liberou as autorizações de concursos até 3 de julho, um dia antes do começo do defeso eleitoral.
Ao todo, 596 vagas foram oficialmente autorizadas para órgãos e autarquias como a Receita Federal, Banco Central, Advocacia-Geral da União (AGU), Controladoria-Geral da União (CGU) e Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD).
Para outros órgãos, como o INSS, as autorizações só devem ser analisadas e concedidas após as eleições.
A legislação eleitoral não proíbe a autorização e abertura de concursos públicos. A restrição fica apenas para nomeação de aprovados.
Porém, o Governo Federal procura não liberar os avais durante o período para não ser interpretado como objeto de campanha.
A presidente do Instituto Nacional do Seguro Social, Ana Cristina Silveira, confirmou que busca autorização para um novo concurso INSS com 2 mil vagas em 2027, além das 300 nomeações já previstas para este ano.
Em entrevista à Folha de São Paulo, Ana Cristina Silveira voltou a destacar o déficit de pessoal na autarquia.
De acordo com ela, o cenário ideal seria a reposição de 10 mil servidores, número já defendido pelo ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, mas a própria gestão reconhece que alcançar esse patamar no curto prazo é difícil.
Por isso, o INSS optou por um pleito mais enxuto e considerado prioritário, cuja autorização depende do aval do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI).
Este ano, o Instituto Nacional do Seguro Social solicitou autorização para preencher 10 mil vagas por meio de um novo concurso INSS. O pleito foi enviado ao Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos e está em análise.
As vagas solicitadas estão distribuídas da seguinte forma:
O cargo de técnico do seguro social tem como requisito o nível médio e oferece salário inicial de R$6.041,63.
Já o cargo de analista do seguro social exige nível superior e conta com remuneração inicial de R$9.371,30.
A realização do concurso já foi incluída como uma das ações do programa “Acelera INSS”, lançado recentemente.
O programa prevê ações para reduzir filas e acelerar atendimentos, incluindo:
Se um próximo concurso INSS for autorizado, a expectativa é que o técnico do seguro social seja contemplado.
Uma vez que o último concurso para a função teve sua validade expirada em maio de 2025, depois de prorrogação. Desta maneira, a autarquia não pode mais nomear aprovados sem a abertura de novas vagas.
No caso do cargo de analista do seguro social, de nível superior, o INSS tem concurso válido. Em 2025, foram abertas 300 vagas, por meio da segunda edição do Concurso Nacional Unificado (CNU).
O Instituto Nacional do Seguro Social ainda tenta autorização para nomear mais 675 aprovados para o cargo de analista do seguro social, cujas vagas foram abertas no CNU de 2025.
Inicialmente, o INSS pediu aval ao MGI para a ampliação de 75 vagas para o cargo de analista, equivalente a 25% das 300 vagas originalmente autorizadas.
Além disso, ainda apresentou solicitação de autorização de provimento suplementar de mais 600 vagas de analista.
Esse segundo pedido ultrapassa 25% das vagas originárias, que dependem apenas do MGI. Assim, exige tramitação em instâncias superiores da Administração Pública Federal.
A previsão é que as 600 vagas sejam distribuídas por analistas das seguintes especialidades:
As informações estão em ofício enviado à Associação Nacional dos Analistas do Seguro Social (Anaseg) pelo INSS.
“Os documentos encaminhados pelo INSS representam um importante avanço institucional e político para a categoria. Nas notas técnicas e despachos enviados à ANASEG, a própria Autarquia reconhece oficialmente que o quantitativo de vagas autorizado até o momento é insuficiente para enfrentar o déficit de servidores existente. A resposta demonstra que os alertas feitos pela ANASEG têm fundamento técnico e respaldo dentro do próprio INSS”, disse a Associação, em nota.




