Cerimônias fúnebres de Ali Khamenei se estendem até quinta-feira

Pessoas passam de motocicleta por um banner com a foto do Líder Supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, em Teerã, Irã, em 28 de junho de 2026
Majid Asgaripour/WANA via REUTERS

O caixão do antigo líder supremo iraniano Ali Khamenei chegou nesta sexta-feira (3) ao complexo religioso de Teerã, onde se realizará um funeral sem precedentes, quatro meses após sua morte em um ataque aéreo conjunto de Israel e Estados Unidos (EUA).

O corpo do ayatollah Khamenei, envolto na bandeira iraniana, vai estar em uma câmara da mesquita Grande Mosalla até a próxima segunda-feira (6).

As paredes do complexo estão cobertas com grandes retratos do homem que serviu como Líder Supremo durante mais de três décadas, bandeiras negras em sinal de luto e bandeiras vermelhas, símbolos de martírio e vingança.

Na primeira aparição pública desde o início da guerra, Ahmad Vahidi, chefe da Guarda Revolucionária Islâmica, uma das forças militares mais poderosas do Oriente Médio, prestou homenagem a Khamenei.

Mantendo um perfil discreto desde o início do conflito, provavelmente para evitar ser assassinado como o seu antecessor, Ahmad Vahidi colocou a mão sobre o caixão e rezou, conforme registrado em uma fotografia compartilhada pela agência de notícias Fars.

A presença do filho de Ali Khamenei – Mujtaba, que o sucedeu como líder supremo no início de março –, não foi confirmada. Ferido nos ataques que mataram seu pai, o líder se comunica apenas através de declarações que são atribuídas a ele, e não aparece em público.

Ali Khamenei, o líder supremo que governou por mais tempo desde a fundação da República Islâmica, em 1979, morreu aos 86 anos em um bombardeio à sua residência, em 28 de fevereiro, levado a cabo pelos seus dois inimigos declarados, os Estados Unidos e Israel.

O funeral de Estado, inicialmente previsto para março, mas adiado devido à guerra, deverá ser o maior da história do Irã. Em 1989, quando seu antecessor, Ruhollah Khomeini, faleceu, aproximadamente 10 milhões de pessoas compareceram ao funeral, segundo dados oficiais. Na época, a aglomeração resultou em mais de dez mortes.

Junto ao caixão de Ali Khamenei estão os caixões dos seus familiares, também mortos no primeiro dia da guerra, incluindo uma das suas filhas, um genro, uma nora e uma neta.

Um turbante preto, usado pelos clérigos que alegam descendência do profeta Maomé, repousa no caixão, sobre um lenço dobrado, símbolo no Irã dos ideais revolucionários militantes e da solidariedade para com os palestinos.

Um cortejo fúnebre com os restos mortais do antigo líder supremo percorrerá as ruas de Teerã na segunda-feira, onde inúmeros cartazes e slogans prestam homenagem ao “mártir”, antes de chegar à cidade sagrada de Qom na terça-feira.

Espera-se que o corpo de Khamenei seja levado para Qom, Najaf e Kerbala, os grandes centros xiitas do Irão e do Iraque, antes de ser sepultado na quinta-feira (9) em Mashhad, cidade que alberga o santuário de peregrinação mais sagrado do país.

Khamenei ficará em Mashhad, perto do túmulo do Imã Reza, uma figura de grande devoção no Irã.

Representantes de mais de 100 países deverão comparecer no funeral do antigo líder supremo iraniano, que começa hoje, segundo a emissora estatal iraniana IRIB.

Prevê-se a presença de líderes e representantes de vários países, principalmente vizinhos, incluindo o ex-presidente russo Dmitry Medvedev e o primeiro-ministro paquistanês Shebaz Sharif. A China será representada por um alto funcionário do parlamento, He Wei.

Representantes do Líbano, Iraque e Iémen, países que albergam os principais aliados do Irã em sua rede de poder regional, entraram no salão para prestar sua última homenagem aos caixões.

As famílias do líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, e do comandante sênior Imad Mughniyeh, aliados libaneses próximos do Irã mortos em ataques israelenses, assistiram à cerimônia.

“Todos os que assistem ao funeral estão do lado certo da história”, enfatizou nesta semana o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irã, Esmail Baghai, denunciando o apoio ocidental a Israel e aos Estados Unidos nas suas duas guerras contra a República Islâmica, uma em junho de 2025 e outra neste ano.

No sistema teocrático iraniano, Khamenei não era apenas chefe de Estado e líder de um movimento revolucionário, mas também o representante na Terra do 12º imã do Islão xiita, que desapareceu no século IX.

A sua morte em um ataque inimigo enquadra-se em uma poderosa tradição xiita de martírio e luto, na qual procissões de manifestantes batem no peito ou nas costas.

Este poderoso simbolismo tem sido evidente nas bandeiras fúnebres negras que agitam as ruas da cidade desde a sua morte, fazendo referência ao martírio do terceiro imã do xiismo, Hussein, no século VII.

Ironicamente, o início do funeral coincidirá com o feriado nacional dos Estados Unidos, 4 de julho, quando o país celebra o seu 250º aniversário.

O funeral realiza-se em meio a tensões elevadas, no contexto de um frágil cessar-fogo entre Teerã e Washington, e também seis meses após grandes protestos contra o elevado custo de vida e o governo.

Desde esta sexta, Teerã se assemelha a uma fortaleza, com uma presença policial maciça e um vasto perímetro inacessível por carro.

O aeroporto de Teerã será totalmente fechado na segunda-feira, feriado nacional em todo o território iraniano. Os centros comerciais fecharam portas e as empresas foram obrigadas a encerrar as suas atividades. 

 

Agência Brasil

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