Caiado avisa: vai tratar as bets com “mão pesada”

Caiado: “Tem que ter realmente um regramento duro para que isso não continue operando no Brasil”

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Em agenda com comerciantes e lojistas no Brás, na região central de São Paulo, o candidato do PSD à Presidência da República, Ronaldo Caiado, afirmou que pretende agir com “mão pesada” contra empresas e sites de apostas esportivas online, as chamadas “bets”. Caiado fez o comentário a propósito das reclamações dos lojistas da região, que vendem principalmente produtos de baixo custo. De acordo com os comerciantes, além do endividamento familiar, que afastam compradores das lojas, há também efeitos entre os trabalhadores do comércio, com funcionários endividados e outros problemas relacionados ao vício em apostas.

Caiado lembrou que, durante seu mandato como senador, combateu duramente a liberação dos jogos. “Derrotei todas essas tentativas como senador da República e agora isso está se expandindo a ponto de trazer o comprometimento da alimentação das pessoas, comprometimento até da vida íntima nas famílias”, afirmou.

Ele disse ainda que o problema pode atingir as relações familiares e classificou o vício em apostas como uma doença. “As pessoas têm a mesma dependência do jogo que tem de droga. Então, isso não pode ser de forma tão extensiva como está sendo colocado aí. Tem que ter realmente um regramento duro para que isso não continue operando no Brasil”, declarou.

Ao responder aos comerciantes, o candidato afirmou que, se chegar à Presidência, adotará medidas para combater a expansão das bets. “Então, essa demanda que está sendo feita aqui terá a mão pesada do Caiado, como presidente da República, para poder combater essas bets no Brasil”, disse.

Caiado lembrou que o presidente da República não pode decidir sozinho sobre o tema e que pretende discutir a questão com o Congresso. “Tenho muita experiência no Congresso. E quero dizer que toda fala de um candidato à Presidência da República deve ter noção que ele não possui autonomia total. Você sempre tem que chamar o Congresso para discutir esse assunto. Eu os chamarei, respeitando os Poderes”, afirmou.

Caiado também criticou candidatos que, segundo ele, apresentam propostas sem considerar a necessidade de articulação política para implementá-las. “Falar é muito fácil. Agora, para fazer é preciso experiência, vivência dentro da vida política e nenhuma mácula para que ele realmente possa se valer da sua autoridade moral e sua experiência para fazer mudanças substantivas no Brasil”, disse.

Lavagem de dinheiro

Anteriormente, o candidato do PSD já havia afirmado, na terça-feira (18), que pretende utilizar o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) para acompanhar operações de casas de apostas e fintechs caso seja eleito.

O Coaf é o órgão de inteligência financeira do governo federal responsável por receber, analisar e disseminar informações sobre operações financeiras que possam indicar lavagem de dinheiro e outros crimes financeiros.

“Eu terei sob meu comando o Coaf, que acompanha todas as operações financeiras, junto com a Receita Federal. Eu saberei identificar, centavo a centavo, esse segmento que hoje gera muita riqueza no país e também saberei implantar políticas sociais para as pessoas que estão vinculadas a essa estrutura do mercado”, disse Caiado durante o “Encontro com os Presidenciáveis – Diálogo pelo Futuro do Brasil”, promovido pela UNECS (União Nacional de Entidades do Comércio e Serviços), em Brasília.

Ele afirmou que apostas e fintechs estariam sendo utilizadas para lavagem de dinheiro proveniente do narcotráfico e de corrupção. O candidato disse ainda que as bets estão causando um “tumulto muito grande” e “destruindo famílias” no País.

“O dinheiro das bets está acabando com a renda das pessoas. Isso é uma doença que está desestruturando as famílias. Isso está tomando conta de todo o espaço. Isso é um lado que empobrece o mercado”, afirmou. Segundo ele, as apostas estão contribuindo para episódios de violência doméstica.

O ex-governador de Goiás disse que pretende concentrar a atuação inicialmente nas empresas que operam de forma ilegal e, em seguida, no que classificou como um nível elevado de patrocínio e publicidade das apostas. “Vamos inibir a publicidade e dar um tratamento rigoroso a essas práticas que estão destruindo nossas famílias”, disse.

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