CNI orienta indústrias do RN sobre impactos da Reforma Tributária

As empresas optantes do Simples Nacional deverão escolher, em setembro de 2026, se permanecerão no atual modelo de tributação para 2027 ou se irão migrar para o novo modelo de créditos e débitos do Imposto sobre Valor Agregado (IVA), instituído pela Reforma Tributária. Para auxiliar a tomada de decisão das indústrias potiguares, tanto as micro e pequenas quanto as médias e grandes, a Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte (FIERN) recebeu Mário Sérgio Telles, diretor adjunto de Desenvolvimento Industrial da Confederação Nacional da Indústria (CNI), na reunião de diretoria desta quinta-feira (7), na Casa da Indústria.

O debate também abrangeu as médias e grandes empresas onde foram apresentados detalhes relevantes sobre o período de transição da reforma, contemplando o desmame dos benefícios fiscais, a aplicabilidade do instrumento de compensação e um cronograma de etapas para a transição até o pleno exercício da reforma.

De acordo com Telles, a reforma traz uma série de benefícios para empresas de todos os portes, como o fim da cumulatividade tributária, que representa um custo equivalente a 7,4% sobre o custo líquido para o setor industrial.

Foto: Shirley Mello

“O novo modelo também promove a desoneração de investimentos, a simplificação do sistema tributário e das vidas das empresas”, analisa. “Com as mudanças da reforma, modelos econométricos utilizados pela Universidade Federal de Minas Gerais mostram que o PIB [Produto Interno Bruto] do Brasil, após 15 anos do início efetivo da reforma, deve estar 12% maior do que estaria sem a reforma”, aponta o economista.

Por outro lado, ele aponta que o novo modelo também traz desafios em diversos aspectos para os empreendedores. “Para além do cálculo quanto aos tributos, os empresários precisarão analisar questões legais e contratuais, finanças, localização e logística, fornecedores, precificação e sistemas internos”, afirma Telles.“As empresas precisam olhar para dentro, porque a estrutura e os modelos de negócio vão mudar. Dentro dos setores, quem se adaptar melhor vai ter vantagem competitiva frente aos concorrentes”, acrescenta.

No caso das empresas do Simples Nacional, a escolha vai influenciar na aquisição e concessão de créditos tributários da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), que compõem o IVA e que substituem, respectivamente, PIS/Cofins e ICMS/ISS.

Foto: Shirley Mello

Segundo Telles, 74% das empresas do Simples Nacional estão no fim das cadeias produtivas, vendendo para os consumidores finais, e tendem a permanecer no modelo atual, já que o cliente será tributado e não poderá obter créditos tributários. Os outros 26% são empresas de meio de cadeias, que podem ter os valores de venda aumentados, mas também poderão repassar créditos tributários maiores para seus clientes.

“É um exemplo geral, mas a mensagem mais importante é de não buscar uma simplificação. Existem, por exemplo, empresas que atendem tanto outras empresas quanto consumidores finais. Elas precisam fazer o dever de casa e calcular e analisar qual é a melhor opção”, completa o especialista.

O presidente da FIERN, Roberto Serquiz, comenta que a intenção em promover o debate é fornecer cada vez mais informações e detalhes sobre a reforma para auxiliar as indústrias na tomada de decisão. “Os modelos apresentados por Telles podem ser utilizados para fazer cálculos caso a caso. Nosso objetivo é trazer esses cenários para começarmos a dar os passos necessários para esse processo que já se iniciou.”

“A Política Industrial é vital para o estado ter um programa que incentive e atraia investimentos ao fim da transição da reforma. A FIERN já iniciou um diálogo junto à Secretaria da Fazenda para trabalhar a elegibilidade do estado para receber os recursos desses fundos”, declarou Serquiz.

Para o empresário Etelvino Patrício, presidente do Sindicato de Reciclagem e Descartáveis do RN (SINDRECICLA-RN) e diretor 2º secretário da FIERN, o tema é urgente para as empresas do setor industrial. “É uma realidade que precisamos nos atentar e fazer os devidos cálculos e estudos. Não podemos ver a empresa de forma isolada, mas a cadeia produtiva como um todo. A transferência de crédito tributário para os clientes pode ser um diferencial competitivo, por exemplo”, comentou.

Ferramentas de desenvolvimento regional

O diretor adjunto de Desenvolvimento Industrial da CNI, Mário Sérgio Telles, também falou sobre os mecanismos previstos na reforma tributária para garantir o desenvolvimento regional, como o Fundo de Compensação de Benefícios Fiscais e o Fundo Nacional de Desenvolvimento Regional.

“O primeiro tem a intenção de compensar a perda dos benefícios e incentivos estaduais para atração de indústrias. Já o segundo será recebido por todos os estados para incentivar fomento à atividade produtiva, infraestrutura e inovação, com prioridade para projetos ambientais sustentáveis e de redução das emissões de carbono.”

Ele aponta, também, que a reforma vai gradativamente destinar as receitas tributárias para o estado e município de origem das operações. “Isso pode aumentar a arrecadação de locais com mais consumo do que produção, como é o caso da região Nordeste, por exemplo”, concluiu Telles.

FIERN

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