
O Centro de Tecnologias do Gás e Energias Renováveis (CTGAS-ER), do SENAI-RN, e o Instituto SENAI de Inovação em Energias Renováveis (ISI-ER) participaram, em Brasília, da Gas Week – principal encontro sobre política e mercado de gás natural do Brasil.
A presença das instituições no evento foi registrada em meio a projeções do setor de aumento da oferta do produto, a discussões sobre a necessidade de ampliação da demanda e à relevância que o biometano, biocombustível gasoso obtido a partir do processamento do biogás, vêm ganhando no mercado.
O cenário, diz a diretora do CTGAS-ER, Amora Vieira, traz desafios e oportunidades nas áreas de serviços e educação.A ideia, observa ela, é aprofundar a compreensão sobre as demandas de hoje para pensar produtos mais direcionados à atividade.
A estratégia envolve desde levantamentos sobre a atuação da rede SENAI na área e necessidades das empresas, até a articulação com instituições relacionadas para atualizações ou criação de portfólios em frentes consideradas prioritárias.
Inaugurado em 2002 como referência nacional para o desenvolvimento da indústria do gás natural e, a partir de 2009, com a atuação expandida para a então nascente indústria das energias renováveis, o CTGAS-ER busca, segundo a diretora, reposicionar atividades que envolvem a indústria do gás.
“Nós acompanhamos as discussões sobre todo o processo da cadeia do gás natural, incluindo exploração, perfuração, produção, processamento, transporte e refino, e a nossa visão é entender como a gente poderia atuar nesse contexto atual, além de criar novas conexões com atores do segmento, envolvendo distribuidoras e outros clientes com os quais a gente atua ou enxerga possibilidades de atuação conjunta”, diz.
“Então vamos ter um caminho a percorrer, revisitando o nosso itinerário formativo, para avaliar aquilo que faz sentido em termos de aplicações do gás natural e de seus desdobramentos, como o biometano, e aí entender como a gente consegue capilarizar isso na rede SENAI, da mesma forma que a gente fez com foco no setor de energia eólica”, acrescenta.
O engenheiro químico Marcílio Bayer, do Laboratório de Hidrogênio do Instituto SENAI de Inovação em Energias Renováveis, também participou do encontro e destaca que o evento permitiu acompanhar tendências estratégicas do setor, especialmente em relação a investimentos, gargalos tecnológicos, regulação e políticas públicas.
Segundo ele, a Lei do Gás, de 2021, contribuiu para dinamizar o mercado ao estimular a descentralização da oferta.
Ainda de acordo com o especialista, a ampliação da oferta no Brasil deve ser impulsionada por projetos como o Campo de Raia, no pré-sal do Rio de Janeiro, e empreendimentos em águas profundas em Sergipe, além da importação de gás da Argentina.
Diante desse cenário, observa ele, o desafio passa a ser a expansão da demanda, com medidas como substituição de combustíveis, interiorização do gás e incentivo ao consumo em diferentes esferas.
O biometano, por sua vez, ganha espaço como alternativa renovável. De acordo com Bayer, o segmento apresenta crescimento médio de cerca de 15% ao ano, com potencial de expansão ainda maior nos próximos anos.
A Gas Week 2026 foi realizada nos dias 28 e 29 de abril, no Centro de Convenções Brasil 21, em Brasília. O evento é organizado pela Agência Eixos e reuniu autoridades, executivos e especialistas para dois dias de debates sobre o futuro do mercado de gás e da transição energética no Brasil, com painéis, círculos de líderes, atividades internacionais e momentos de networking.
SOBRE O CTGAS-ER
O Centro de Tecnologias do Gás e Energias Renováveis (CTGAS-ER) é parte da rede SENAI do Rio Grande do Norte.
Foi inaugurado em 22 de março de 2002 como referência nacional para o desenvolvimento da indústria do gás natural e, a partir de 2009, expandiu a atuação para a então nascente indústria das energias renováveis.
O Centro foi inaugurado a partir de uma parceria inédita entre a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a FIERN, o SENAI e a Petrobras.
Documentos históricos sobre a trajetória da instituição apontam que foi inicialmente constituída com a missão de prover e antecipar soluções para a indústria do gás natural do Brasil, através de educação profissional, assessoria técnica e tecnológica, de informações tecnológicas e pesquisa aplicada.
Já com o “ER”, de Energias Renováveis, incorporado ao nome, ela está posicionada atualmente na rede SENAI como referência nacional em educação profissional e serviços tecnológicos com foco também em energia eólica e solar.
É, ainda, Centro de Excelência nacional para soluções que estão em construção no Brasil, em parceria com a Alemanha, para formar profissionais que irão atuar na cadeia produtiva do hidrogênio verde.
Novos passos voltados à indústria de energia eólica offshore e à eletromobilidade marcam mais um capítulo de expansão nessa história.
SOBRE O ISI-ER
O Instituto SENAI de Inovação em Energias Renováveis (ISI-ER) é a principal referência do SENAI no Brasil em Pesquisa Aplicada, Desenvolvimento & Inovação para indústrias de energias renováveis e, no Nordeste brasileiro, também lidera iniciativas da instituição para soluções de sustentabilidade voltadas à transição energética.
Inaugurado oficialmente em 2021, no Rio Grande do Norte, o Instituto é parte da maior rede de ciência e tecnologia para o setor industrial no país – composta por 28 Institutos SENAI de Inovação (ISIs).
A equipe é formada por mestres, doutores e técnicos em áreas como engenharia (mecânica, civil, elétrica, química e naval), meteorologia, oceanografia, geografia e tecnologia da informação.
O portfólio abrange estudos, tecnologias e marcos inéditos nacionalmente, como a primeira planta-piloto offshore do Brasil a receber licença prévia do Ibama.
A atuação, hoje, envolve oito áreas estratégicas: Energia eólica, Energia solar, Sustentabilidade, Hidrogênio, Combustíveis avançados, Economia azul, Meio Ambiente e Geointeligência.
Texto e foto: Renata Moura
FIERN



