A Rússia informou nesta segunda-feira (30) que um navio petroleiro transportando 100 mil toneladas métricas de petróleo bruto havia chegado a Cuba e que Moscou ficará ao lado de Havana trabalhando para a liberação de mais suprimentos, apesar do bloqueio dos Estados Unidos à ilha governada pelo regime comunista.

Os EUA cortaram as exportações de petróleo da Venezuela para Cuba após a derrubada do presidente venezuelano Nicolás Maduro em 3 de janeiro, e o presidente norte-americano, Donald Trump, ameaçou impor tarifas punitivas a qualquer outro país que enviasse petróleo bruto para Cuba.
No domingo (29), no entanto, Trump sinalizou que estava revertendo o curso e expressou simpatia pela necessidade de energia do povo cubano.
O petroleiro Anatoly Kolodkin estava esperando para descarregar no porto de Matanzas, informou o Ministério dos Transportes da Rússia.
O Kremlin disse que havia levantado a questão do navio-tanque durante as conversas com os EUA, mas que a Rússia sente que tem o dever de apoiar os “amigos” em Cuba.
“Essa questão foi de fato levantada com antecedência durante os contatos com nossos parceiros norte-americanos”, disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, aos repórteres.
Cuba não recebe um petroleiro há três meses, de acordo com o presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, e sua crise energética causou apagões em todo o país de 10 milhões de habitantes. As autoridades de saúde dizem que a crise aumentou o risco de mortalidade de pacientes com câncer, especialmente crianças.
Cuba tornou-se dependente do petróleo da União Soviética após sua revolução comunista em 1959, e precisa de óleo combustível e diesel importados para gerar energia.
Perguntado se outras remessas russas seriam feitas, Peskov disse:
“Na situação desesperadora em que os cubanos se encontram agora, isso, é claro, não pode nos deixar indiferentes, portanto, continuaremos a trabalhar nisso”.
Os dados de rastreamento de navios da LSEG mostraram que o navio-tanque russo havia deixado o porto russo de Primorsk, no Mar Báltico, em 8 de março, e agora estava se movendo ao longo da costa norte de Cuba.
*Reportagem adicional de Marina Bobrova e Gleb Stolyarov
É proibida a reprodução deste conteúdo
Agência Brasil


