Contramão para escapar de pedágio eletrônico dá multa, processo e dor de cabeça

Circulam nas redes sociais vídeos afirmando que motoristas conseguiriam evitar a cobrança de pedágio eletrônico, também conhecido como free flow, passando na contramão pelos pórticos.

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) esclarece: a informação é falsa e seguir essa “dica” pode sair bem mais caro do que qualquer tarifa.

Os registros compartilhados no Instagram mostram condutores realizando a manobra irregular, mas mal sabem eles que o sistema identifica veículos independentemente do sentido em que trafegam. Ou seja, a cobrança é feita normalmente, inclusive nesses casos.

A desinformação sugere que trafegar no sentido oposto impediria a leitura dos equipamentos. Na prática, a tecnologia foi desenvolvida justamente para registrar placas, eixos e características dos veículos em qualquer direção. Portanto, não há brecha técnica a ser explorada.

Além de não escapar da tarifa, quem dirige na contramão comete infração prevista no artigo 186 do Código de Trânsito Brasileiro. As penalidades variam conforme o tipo de via:

Receber 7 pontos de uma só vez pode acelerar o alcance do limite de pontuação da habilitação, que varia de 20 a 40 pontos conforme o histórico do condutor, aumentando o risco de suspensão do direito de dirigir.

Além disso, a conduta pode ser enquadrada como direção perigosa, especialmente se houver risco imediato à vida de outras pessoas ou intenção de exibição. Nesses casos, a penalidade pode ser agravada, com multiplicação da multa e suspensão direta da CNH.

Há ainda consequências civis e criminais. Em caso de acidente, o motorista que trafega na contramão tende a ser responsabilizado pelos danos. Se houver vítimas, a situação piora e podem surgir crimes de trânsito.

De acordo com a Superintendência de Infraestrutura Rodoviária (SUROD) da ANTT, em caso de vídeos que incentivam fraude ao pedágio eletrônico, as informações estão sendo encaminhadas à Polícia Rodoviária Federal, e os envolvidos podem ser investigados por condutas como atentado à segurança viária ou tentativa de fraude.

A ANTT reforça que compartilhar conteúdos falsos não é apenas um problema informativo — pode incentivar comportamentos perigosos e ilegais. A recomendação é simples: antes de acreditar ou repassar qualquer “atalho milagroso”, vale conferir a veracidade.

No fim, a promessa de economia vendida por vídeos virais costuma terminar em prejuízo financeiro, penalidades legais e risco à vida. A informação correta continua sendo a rota mais segura.

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