Professor do Ceres publica capítulo em livro sobre histórias das mestiçagens no Brasil

O professor Helder Macedo, do Departamento de História do Centro de Ensino Superior do Seridó da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (Ceres/UFRN), publicou um capítulo na coletânea História das mestiçagens no Brasil, organizado por Mary Del Priore e Gian Melo e publicada pela Editora Unesp.

O trabalho investiga as mestiçagens nos sertões do Norte e a partir da trajetória da família de Emerenciana de Jesus, mulher identificada como “cabra” nos registros da igreja e moradora da freguesia do Seridó na primeira metade do século XIX. 

Intitulado Uma reflexão sobre as mestiçagens nos sertões do Norte a partir da trajetória da família de Emerenciana de Jesus, cabra, forra, solteira, moradora na freguesia do Seridó (séculos XVIII-XIX), o capítulo é resultado de pesquisas desenvolvidas por Helder Macedo ao longo dos anos, com apoio da UFRN e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). 

A pesquisa parte da trajetória de Emerenciana de Jesus como uma abordagem micro-histórica para compreender o processo de formação das famílias do Seridó. Segundo o professor, os estudos desenvolvidos a partir da renovação da historiografia sobre o Rio Grande do Norte, iniciada na década de 1980, têm contribuído para ampliar a compreensão sobre a composição social da região.

“Os estudos que eu venho empreendendo vêm mostrando que nos sertões e no Seridó era predominante a existência de famílias com composição mestiça. Ou seja, famílias em que as pessoas eram identificadas como pardas, mulatas, cabras, brancas, sem falar da presença muito forte de indígenas e pessoas africanas e crioulas”, explica. 

A história de Emerenciana de Jesus permite observar, em escala familiar, a diversidade presente na formação da sociedade seridoense. Segundo o professor Helder, ela manteve uma família matrifocal que viveu nas proximidades do rio Sabugi, na região próxima à atual cidade de Caicó. Ao longo das gerações, seus descendentes foram identificados, nos registros, como pardos, morenos e brancos e se espalharam pela região do Seridó, chegando posteriormente a migrar para São Paulo. 

Para o pesquisador, a trajetória evidencia a heterogeneidade das origens e das práticas culturais que participaram da formação histórica dos sertões. “A importância está ligada diretamente à necessidade que temos de conhecer mais sobre as nossas origens. Durante muito tempo, as narrativas da história que chegavam até nós, fosse nos livros de autores regionais, fosse nos livros didáticos, diziam que a formação das famílias no atual Nordeste era predominantemente composta de brancos ou descendentes de portugueses”, afirma. 

O capítulo, portanto, contribui para ampliar a compreensão sobre as diferentes origens que constituíram as famílias e a sociedade do Seridó, destacando a presença e as relações entre pessoas de diferentes grupos sociais e étnicos. 

Para Helder Macedo, o auxílio das instituições de pesquisa é fundamental para a continuidade dos estudos na área das Ciências Humanas e Sociais. “Sem esse apoio das instituições, seria impossível continuar com os projetos. No caso da pesquisa nas Humanidades, ela tem uma peculiaridade, uma nuance, que é o fato delas  avançarem num ritmo mais devagar. Então, o apoio da Universidade é imprescindível”, ressalta. 

O professor também destaca a participação dos estudantes de iniciação científica, além de orientandos e orientandas de graduação, mestrado e doutorado no desenvolvimento das pesquisas. Segundo ele, parte das reflexões apresentadas no capítulo resulta desse processo de formação e colaboração acadêmica. “Esse capítulo publicado significa muito, já que é uma forma de verificar  os resultados de pesquisas que eu desenvolvo há muitos anos, enfocando os sertões do Seridó e como esses sertões se conectam com a realidade histórica de muitas famílias brasileiras”, afirma. 

O capítulo Uma reflexão sobre as mestiçagens nos sertões do Norte a partir da trajetória da família de Emerenciana de Jesus, cabra, forra, solteira, moradora na freguesia do Seridó (séculos XVIII-XIX) está disponível para acesso na plataforma Academia.edu.

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