Saúde mental no trabalho: Como o SESI-RN apoia indústrias na adequação à NR-01

O avanço das discussões sobre saúde mental no ambiente de trabalho tem ganhado força no Brasil e passou a exigir uma resposta mais estruturada das empresas. Com a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-01), programada para entrar em vigor plenamente em 26 de maio, o gerenciamento de riscos psicossociais passa a ser obrigatório dentro do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), ampliando o olhar das organizações para além dos riscos físicos e operacionais. 

 

O cenário reforça a urgência dessa agenda. Em 2025, o Brasil registrou um aumento de 59,1% nos afastamentos por mais de 15 dias por transtornos mentais relacionados ao trabalho, na comparação com 2024, segundo dados do Ministério da Previdência Social. O dado evidencia o impacto crescente de fatores como estresse, ansiedade e esgotamento na saúde dos trabalhadores e na produtividade das empresas. 

 

Nesse contexto, o Serviço Social da Indústria do Rio Grande do Norte (SESI-RN) tem estruturado soluções voltadas ao atendimento das indústrias potiguares, alinhadas às exigências da NR-01 e ao fortalecimento da saúde integral do trabalhador. 

 

A superintendente regional do SESI-RN, Danielle Mafra, destaca que a instituição já atua de forma integrada a essa nova realidade. “O SESI-RN está alinhado às exigências da NR-01, especialmente no que se refere ao gerenciamento dos riscos ocupacionais, incluindo os psicossociais. Temos desenvolvido soluções que ajudam as indústrias a compreender melhor esses fatores e a atuar de forma preventiva, promovendo ambientes de trabalho mais saudáveis e seguros”, afirma. 

 

Entre as principais iniciativas está o Mente Segura na Indústria, que integra diferentes frentes de atuação. A partir dele, são realizados o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) com avaliação dos fatores de riscos psicossociais relacionados ao trabalho, o Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO) e o Laudo Técnico das Condições Ambientais de Trabalho (LTCAT), além da aplicação de ferramentas específicas de monitoramento. 

 

Uma dessas ferramentas é o Mentis 360, plataforma digital que mapeia sinais sugestivos de ansiedade, depressão e estresse por meio de questionários estruturados. A tecnologia permite que as empresas acompanhem indicadores de saúde mental e adotem intervenções mais assertivas, com base em dados. 

 

Outra solução é a Avaliação em Saúde e Segurança do Trabalhador da Indústria (ASSTI), que utiliza um chatbot para coletar, de forma anônima, a percepção dos trabalhadores sobre aspectos da saúde integral, além de fatores como educação, fatores psicossociais e cultura de segurança. A partir dessas informações, é possível direcionar ações mais eficazes, alinhadas às necessidades reais de cada ambiente de trabalho. 

 

De acordo com a coordenadora de Saúde e Segurança do Trabalhador (SST) do SESI-RN, Rayanne Araújo, o diferencial está na integração das ferramentas. “Dentro do Mente Segura na Indústria, a gente realiza o PGR com a avaliação dos fatores de riscos psicossociais, desenvolve o PCMSO e o LTCAT e aplica soluções como o Mentis 360 e o ASSTI. Isso permite que a indústria tenha uma visão completa e estruturada dos riscos e possa agir de forma mais assertiva”, explica. 

 

Prevenção como estratégia 

 

A NR-01 estabelece as diretrizes gerais para o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO), obrigatório para todas as empresas com funcionários regidos pela CLT. Com a atualização recente, a norma amplia o escopo ao incluir, de forma obrigatória, a identificação, avaliação e controle dos riscos psicossociais no ambiente de trabalho. 

 

Para o SESI-RN, a mudança representa uma oportunidade de evolução na cultura organizacional das empresas. Ao investir em prevenção e monitoramento contínuo, as indústrias não apenas atendem às exigências legais, mas também reduzem afastamentos, aumentam a produtividade e fortalecem o bem-estar dos trabalhadores. 

 

“A gente fala de saúde de forma integral. Não é só a ausência de doença, mas a qualidade de vida no trabalho. Quando a empresa cuida da saúde mental, ela cuida das pessoas que fazem a indústria acontecer todos os dias”, reforça Danielle Mafra. 

 

FIERN

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *