O programa Trilhas Potiguares Brasil/África segue com atividades no distrito de Inhambane, em Moçambique. Nesta sexta-feira, 12, as ações foram voltadas para a saúde, com visitas técnicas e oficinas. A iniciativa é coordenada pela Pró-Reitoria de Extensão (Proex) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Uma das principais atividades do dia foi uma visita técnica aos laboratórios do campus da Universidade Save (UniSave), no distrito de Nhaguiviga. O grupo visitou as áreas de bioquímica, microbiologia e anatomia, observando a estrutura que, apesar de ter equipamentos novos e materiais essenciais, está subutilizada. De acordo com Ricardo Fonseca, técnico da UFRN e um dos coordenadores do programa, “existem até excelentes equipamentos de medicina, mas o curso foi extinto e o material ficou sem uso”.
A visita teve como objetivo principal colaborar com a criação de um curso de graduação em laboratório, uma das atuais demandas da UniSave. “Há esse conhecimento na UFRN, nos nossos cursos de saúde, e podemos compartilhar”, explica Fonseca, ao mencionar a possibilidade de um intercâmbio de alunos e professores para auxiliar nesse projeto.
Outra atividade foi a oficina de avaliação funcional do idoso. A ação foi conduzida por Júlia Rêgo, 22 anos, aluna de enfermagem da UFRN. Inicialmente, foi aplicado um procedimento para verificação geral do bem-estar dos pacientes, examinando a visão, audição e os movimentos, além de apurar dados sobre a presença de doenças crônicas, como diabetes e hipertensão.

Júlia relata um caso que exemplifica as dificuldades locais: “Uma idosa que atendi estava com a pressão muito alta, 210/90 mmHg, e ela nos respondeu que não tinha hipertensão. Essa mesma senhora me relatou uma ferida na perna que demorou muito a fechar, sinalizando também indício de diabetes”. Diante disso, a estudante orientou a idosa sobre as doenças e a importância de procurar o serviço de saúde, mas a paciente demonstrou dificuldade de explicar os próprios sintomas. “Então, eu escrevi em um papel tudo o que observei e conversamos, inclusive, sugerindo que fosse realizado um teste de glicemia, para que ela levasse ao posto médico”, conta.
A estudante de enfermagem relatou que conversou com um nutricionista, ex-aluno da UniSave, que compartilhou as dificuldades enfrentadas pelos moradores com o sistema de saúde, principalmente devido à grande distância dos pontos de atendimento. Além disso, é muito difícil para as pessoas abandonarem atividades diárias nas machambas (territórios de trabalho agrícola) para buscar atendimento médico, segundo o relato do nutricionista. Júlia ainda destaca a influência das tradições culturais de buscar tratamentos alternativos, como plantas medicinais, em vez de recorrer ao médico. ”Nós não devemos abolir as tradições culturais, mas trazer a ciência para esse campo simultaneamente”, opina.
O Trilhas Potiguares Brasil/África é uma realização conjunta da Pró-Reitoria de Extensão (Proex/UFRN), da Pró-Reitoria de Pós-Graduação (PPG/UFRN), da Universidade Federal do Pernambuco (UFPE), além da UniSave e da Universidade Eduardo Mondlane (UEM), ambas de Moçambique. Também participam a Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc) e o Instituto Federal do Pará (IFPA).




