O desempenho financeiro dos grandes eventos realizados em 2025 revelou um novo cenário para os municípios do Rio Grande do Norte: festa bem organizada também gera receita. Dados de arrecadação do Imposto Sobre Serviços (ISS) mostram que Caicó foi a cidade que obteve o maior retorno proporcional de arrecadação entre os municípios que investiram em eventos públicos ao longo do ano.
A análise considera o comportamento do ISS nos períodos de maior movimentação turística e comercial, como Carnaval e Festa de Sant’Ana, e aponta que Caicó alcançou um crescimento de 34% na arrecadação do imposto, resultado diretamente ligado à profissionalização da gestão dos eventos e ao fortalecimento da fiscalização dos serviços temporários.
Crescimento do ISS nos principais eventos do RN
O levantamento mostra que os municípios que conseguiram alinhar cultura, turismo e organização fiscal foram os que apresentaram melhores resultados. Confira os destaques de 2025:
- Caicó: crescimento de 34%, impulsionado pelo Carnaval e pela Festa de Sant’Ana, com forte impacto na hotelaria, gastronomia e serviços turísticos.
- Mossoró: aumento de 28%, puxado pelo Mossoró Cidade Junina, com destaque para camarotes, grandes estruturas e fornecedores nacionais.
- Assú: alta de 22%, durante o São João do Assú, com reflexos no comércio e na logística regional.
- Natal: crescimento de 15%, influenciado por eventos como o Carnatal e o São João, em uma economia de grande escala.
- Pau dos Ferros: avanço de 12%, alavancado pela FINECAP e pelo turismo de negócios.
O diferencial de Caicó
O que colocou Caicó na liderança não foi o volume absoluto de recursos movimentados, mas a capacidade de converter a movimentação econômica em arrecadação real. Durante os grandes eventos, houve intensificação da formalização de contratos, fiscalização de serviços como hospedagem por temporada, bares, restaurantes, montagem de estruturas e atividades ligadas ao turismo.
Esse controle ampliou a base de incidência do ISS e garantiu que parte significativa do dinheiro movimentado permanecesse nos cofres públicos, fortalecendo a arrecadação municipal.
Quando o evento se paga
Os números de 2025 também reforçam um ponto importante para o debate público: nos municípios que lideraram o ranking, especialmente Caicó, Mossoró e Assú, o retorno financeiro direto e indireto superou os valores investidos na realização dos eventos, incluindo cachês artísticos.
O cenário, no entanto, não se repete em todas as cidades. Especialistas alertam que esse resultado depende de estrutura administrativa, fiscalização eficiente e combate à informalidade. Onde esses fatores não existem, os eventos continuam sendo apenas despesa, sem retorno garantido para a população.
Em Caicó, os dados mostram que cultura, turismo e responsabilidade fiscal caminharam juntos em 2025 — um modelo que tende a ganhar cada vez mais espaço nas gestões municipais do estado.




