FRN leva experiência do ensino remoto para Federal de Uberlândia

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As pró-reitoras de Graduação (Prograd) da UFRN, Maria das Vitórias de Sá e Elda Melo, participaram do evento virtual Ensino Remoto: desafios e oportunidades para a continuidade das atividades acadêmicas do Programa Virtual de Formação (Provifor) da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), nessa quarta-feira, 29 de julho. A moderação do encontro foi realizada pelo pró-reitor de Graduação da UFU, Armindo Quillici Neto, que considerou a UFRN uma referência nacional na área do ensino remoto, destacando seu pioneirismo.

O pró-reitor de Graduação da UFU, Armindo Quillici, contou que sua universidade também aprovou o ensino remoto e que o evento teve o objetivo de conhecer a experiência da UFRN. Nessa perspectiva, a pró-reitora de Graduação da UFRN, Vitória de Sá, iniciou apresentando o contexto histórico para a regulamentação do ensino remoto, que se deu de forma coletiva e descentralizada, envolvendo as representações de todos os segmentos (técnicos, docentes e discentes) dos colegiados de cursos, departamentos e unidades acadêmicas e comissões específicas.

As premissas adotadas nas discussões e no planejamentos foram a segurança à saúde, formação de qualidade, inclusão digital e flexibilidade com responsabilidade. “Em meados de abril iniciamos a discussão sobre a retomada do ensino. Passamos a estudar cenários de como seria essa retomada e chegamos à conclusão que teríamos que retornar de forma não presencial, já que as condições da pandemia não permitiam o ensino presencial”, explicou a professora Vitória.

Em maio, devido à imprevisibilidade e emergência da pandemia, o planejamento foi intensificado para discutir a melhor forma de retorno, que resultou na aprovação do Período Letivo Suplementar Excepcional (PLSE) pelo Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Consepe). O PLSE ocorreu de forma facultativa e como um projeto piloto para avaliar a possibilidade de continuidade do ensino remoto na UFRN. Nessa perspectiva, recentemente, o Consepe aprovou a retomada do período 2020.1 – chamado de 2020.6, por questões operacionais.

Levando em consideração o caráter facultativo do PLSE, a pró-reitora de Graduação mostrou que houve um registro elevado de procura, visto que dos 27 mil estudantes ativos (os alunos em mobilidade ou com período suspenso não puderam se matricular), 62,6% aderiam ao período, com 47.300 solicitações de matrícula em apenas 1.065 turmas ofertadas. “Tivemos uma maior participação dos estudantes cotistas e essa era uma preocupação que tínhamos, se os estudantes em vulnerabilidade socioeconômica conseguiriam participar desse período”, comentou.

Sobre a retomada do 2020.1 (2020.6), ela contou que será no formato remoto com a possibilidade de oferta de componentes curriculares presenciais, desde que sejam garantidas as condições de biossegurança e com aprovação dos colegiados de curso. Com 18 semana de duração, de 24 de agosto a 19 de dezembro, será permitido abrir novas turmas e ajustar as existentes. Os alunos já matriculados no 2020.1 terão matrículas preservadas, contudo, será disponibilizado aos discentes um período de rematrícula para adição ou exclusão de turmas.

Outro ponto importante é que não haverá cancelamento de cursos por abandono, decurso de prazo ou insuficiência de desempenho acadêmico. “Entendemos e defendemos que, se os nossos cursos são presenciais, eles continuarão presenciais, e os que são da modalidade a distância continuarão sendo dessa forma. Mas, nesse momento de pandemia, é importante que ocorra a oferta remota para não gerar prejuízo aos estudantes que precisam dar continuidade às atividades acadêmicas”.

A pró-reitora adjunta de Graduação, Elda Melo, falou sobre os principais desafios e as soluções encontradas pela UFRN. Do ponto de vista pedagógico, devido ao caráter emergencial da pandemia, o docente precisou planejar as aulas em novo formato, com metodologia e materiais diferenciados, adotando uma nova postura de ensino para o contexto de mediação didático-tecnológica e novas formas de avaliação. Já na perspectiva discente, houve a necessidade de adaptação ao formato remoto e ao uso de novos tipos de materiais didáticos, bem como houve a necessidade de exercer a autonomia e a auto-disciplina, para promover a organização cognitiva e da rotina.

Sobre a inclusão, as principais preocupações foram com os professores e estudantes com mais idade, que poderiam ter dificuldades com as mídias digitais; com as pessoas com deficiência; com o ambiente residencial que é diferente conforme o contexto de cada indivíduo; com a realidade histórica das mulheres, que ainda assumem mais responsabilidades com a casa e com os filhos; além do acesso digital de pessoas em situação de vulnerabilidade. As questões de saúde também foram avaliadas, levando em consideração as demandas pelo pelo retorno e pelo não retorno, que vêm desenvolvendo ansiedade ou transtornos psicológicos, e o adoecimento das pessoas da comunidade ou seus parentes pela covid-19.

Diante dessas dificuldades, a UFRN está ofertando capacitações sobre o ensino remoto para docentes e discente; instituiu comissões de monitoramento da covid-19; aprovou novas resoluções de assistência estudantil, como o auxílio de inclusão digital e o instrumental para aquisição de equipamentos; e está aprimorando o sistema oficial de atividades acadêmicas. A universidade também está analisando a experiência do ensino remoto para aprimorá-lo, por meio da Comissão Própria de Avaliação (CPA), da Avaliação de Desempenho da Prograd, além de estudos na área da gestão de pessoas. O evento pode ser assistido no canal do Provifor UFU, no Youtube.